Empresas descobrem que um cônjuge feliz eleva a produtividade

Data 19/01/2015

Feliz no amor, feliz na vida — mesmo no trabalho?

Todd Pedersen, diretor-presidente da empresa de automação de casas Vivint Inc., diz que há uma conexão entre o estado dos relacionamentos de seus funcionários e seus níveis de produtividade.

“Quando minha esposa está triste, eu não venho trabalhar dando pulos de alegria”, diz ele.

A Vivint e uma série de outras empresas dos Estados Unidos estão lançando clubes especiais e planejando eventos — parte desenvolvimento profissional, parte diversão — para familiarizar maridos e esposas com o trabalho que consome os dias de seus cônjuges. As reuniões abrem espaço para os cônjuges reclamarem e as empresas esperam que isso os ajude a entender a próxima vez que seu marido ou esposa ficar até tarde trabalhando no escritório ou fazer uma viagem de negócios de última hora.

Um cônjuge infeliz pode tornar o outro menos efetivo no emprego, indicam pesquisas. Um estudo publicado na edição de outubro da revista “Journal of Marriage and Family” concluiu que os homens são mais felizes em suas vidas quando suas esposas estão satisfeitas com a relação, independente dos sentimentos do marido sobre o casamento. E um estudo recente que saiu na publicação “Ciência Psicológica” mostrou que a personalidade do cônjuge pode influenciar o desempenho de seu parceiro no trabalho.

Funcionários cujos cônjuges são do tipo consciencioso e tendem a seguir regras de forma organizada têm uma probabilidade maior de alcançar um melhor desempenho, obter promoções e aumentos de salário e ser feliz no trabalho, segundo o autor do estudo, Joshua Jackson, professor-assistente de psicologia da Universidade Washington, em St. Louis. Esse efeito permaneceu mesmo depois de os pesquisadores levarem em conta a personalidade dos empregados. O estudo foi baseado em dados compilados por cinco anos com 2.272 casais na Austrália.

Durante eventos mensais, a Riot Games Inc. ensina os cônjuges dos funcionários a jogar os videogames que ela fabrica. Além disso, a empresa tem um grupo privado no Facebook para os cônjuges se conectarem. Os membros falam sobre seus problemas atuais e o que a empresa pode fazer para ajudá-los, diz Sue-Min Koh, gerente de programa de talentos da Riot Games.

Pedersen estima que a Vivint gaste cerca de US$ 100 mil por ano em oficinas para os cônjuges das suas equipes de venda e de técnicos, que representam até 60% da força de trabalho da empresa. Em março passado, a empresa levou 400 cônjuges, todas mulheres, a um evento que contou com palestrantes motivacionais, jogos e prêmios e que foi realizado num centro de conferências perto da sede da Vivint, em Utah. Alguns encontraram cobertores confortáveis embaixo de seus assentos; outras falaram das frustrações de ter um marido que trabalha muito.

Algumas vezes, os maridos passaram pelas reuniões, mas o foco do programa de cônjuges, chamado Elevate (Elevar), é decididamente feminino, já que as equipes técnica e de venda da empresa são formadas na maioria por homens. “Elas realmente se sentem como se nós estivéssemos pelo menos tentando ouvir”, diz Pedersen.

Andrea Taylor, esposa de um gerente de vendas da empresa, planeja os eventos. Ela diz que eles a tornaram mais solidária com o esquema de trabalho do marido, que inclui semanas de 80 horas de trabalho e viagens frequentes.

Na Da Vita Health Care Partners Inc., os gerentes estão tentando fazer com que os cônjuges falem como se fossem funcionários.

A empresa, que fornece serviços para pacientes com problemas nos rins e administra grupos médicos, comunica-se em uma “linguagem estranha”, diz o vice-presidente Dave Hoerman, responsável pela Universidade Da Vita, que fornece treinamento para os empregados. A empresa promoveu recentemente uma sessão para os cônjuges dos funcionários e seus filhos adultos.

Durante uma sexta-feira de agosto, 38 membros das famílias aprenderam sobre desde a resolução de conflitos até o slogan “um por todos e todos por um”, que os funcionários da Da Vita frequentemente evocam.

“No fim do dia, os cônjuges estavam repetindo o slogan”, diz Hoerman. A empresa planeja realizar mais sessões no próximo ano.

“A reação da maioria foi: ‘Agora eu sei porque meu cônjuge trabalha tão duro aqui’”, diz Hoerman.


Essa notícia foi publicada no site The Wall Street Journal, em 15/01/2015

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