Empresas devem ajudar funcionários a parar de fumar, diz Drauzio Varella

Data 05/08/2009

 

Garoto-propaganda da lei de restrição ao fumo, o médico condena os fumódromos e defende a criação de grupos de ajuda nos moldes do Alcoolicos Anônimos

A situação já aconteceu diversas vezes, mas não é algo constante: um profissional entra na Às vésperas da entrada em vigor da lei que restringe o fumo em ambientes públicos do estado de São Paulo, o médico oncologista Drauzio Varella, garoto-propaganda da nova legislação, entrou em mais uma briga contra o cigarro, ao defender que as empresas brasileiras ajudem de maneira mais ativa os funcionários que querem deixar de fumar.

Em palestra no Fórum Você RH, encontro de gestores de Recursos Humanos promovido pelas revistas Você SA e Você RH, Varella afirmou que os programas anti-tabagistas são uma das medidas mais importantes que as companhias podem tomar para melhorar a qualidade de vida dos funcionários e que os custos de programas desse tipo são bastante acessíveis às grandes empresas.

Para ele, a estratégia mais eficiente dentro das empresas é criar grupos de apoio nos moldes do Alcoolicos Anônimos, em que alcoolatras de uma mesma comunidade reunem-se para discutir suas motivações e dificuldades no combate ao vício. "Existe uma longa experiência de que esse tipo de grupo funciona", diz.

Os requisitos para implementar o programa, segundo Varella, são poucos e baratos. Ele diz que o fundamental é ter um médico e um psicólogo dedicados a atender o grupo, além de uma sala onde os participantes possam se reunir com privacidade. Em encontros semanais, os fumantes contariam porque desejam largar o cigarro e compartilhariam experiências de sucesso e fracasso na tentativa de evitar o fumo. Aos poucos, os profissionais de saúde que supervisionam o grupo também avaliariam caso a caso se é preciso indicar remédios ou procedimentos de apoio, como o uso de gomas de nicotina.

Varella ressalta que a turma de participantes precisa ter no máximo 20 pessoas, para que não se torne impessoal demais, e contar apenas com voluntários que realmente queiram participar, ou seja, não adianta que o funcionário vá às reuniões por pressão do chefe.

Grupos similares já funcionam com sucesso em hospitais paulistanos como o Sírio-Libanês e o Hospital do Câncer, mas ainda são raros nas empresas, segundo o médico. Por outro lado, muitas companhias adotam o fumódromo, que para ele é a pior das saídas.

"Não tem como isolar a fumaça, o que prejudica os não-fumantes, e faz com que os fumantes respirem não só a fumaça do próprio cigarro, mas também a dos outros fumantes. É humilhante para a pessoa que fuma, fica um cheiro horrível. É pior do que fazer o funcionário descer para fumar na rua", afirma.

Drauzio Varella diz que até pagar para que os funcionários larguem o vício é melhor do que insistir nos fumódromos. Ele citou experiências de companhias estrangeiras que instituíram uma espécie de bônus para quem conseguisse abandonar o cigarro e afirmou que se trata de uma boa medida.

"Quando você é dependente do cigarro, imagina que não há vida sem nicotina", afirma. "Qualquer ajuda para quem quer largar o vício é bem-vinda", ele completa.

Essa notícia foi publicada no Portal Exame, em 03/08/2009