Empresas podem enfrentar “apagão” intelectual

Data 31/01/2012

 

Segundo levantamentos do Ministério de Trabalho e Emprego, a força de trabalho brasileira tem um índice de qualificação de apenas 16%.

Com a recuperação econômica e a crescente procura por profissionais no mercado de trabalho, cresceu nos últimos meses a ideia de que o Brasil está enfrentando um “apagão” de talentos, ou seja, a carência de profissionais qualificados. Segundo levantamentos do Ministério de Trabalho e Emprego, a força de trabalho brasileira tem um índice de qualificação de apenas 16%, contra 30% em países como Chile, Argentina e México. No entanto, segundo José Augusto Minarelli, Presidente da Lens & Minarelli, empresa especializada no segmento de Outplacement de executivos e aconselhamento de carreira, o que pode estar mais perto de acontecer é um “apagão” intelectual nas empresas, em função da “juniorização” das equipes de trabalho.

“Um estudo da FIPE sobre desemprego no Brasil desde os anos 90 vai mostrar que cresce de modo estrutural o desemprego de profissionais entre 49 e 70 anos, o que é uma clara indicação de que as empresas, de modo geral, promovem a substituição de profissionais mais experientes por outros menos experientes visando, essencialmente, redução de custos com folha de pagamento. Com isso, cria-se o mito de que os jovens não são qualificados o bastante, mas o que acontece é que os profissionais mais experientes, que poderiam ajudar a qualificar estes jovens, estão sendo demitidos porque ganham mais, porque seus planos de saúde ficaram mais caros, porque eles têm uma vida pessoal que impede dedicação total e exclusiva às empresas”, adverte Minarelli.

A troca de pessoas qualificadas e experientes por profissionais mais jovens em função de redução de custos fica evidente quando se avalia a evolução salarial no Brasil ao longo da última década. Segundo dados do Ministério do Trabalho, o salário médio do brasileiro não evoluiu nesse período, o que pode ser explicado pelo fato de que as pessoas são consideradas “despesa”:

“O que procuramos mostrar às empresas é que aquelas que conseguirem um equilíbrio mais efetivo entre as diversas gerações, de modo a que uma aprenda com a outra, terá uma vantagem competitiva insuperável, pois conseguirá preservar aquilo que é inerente às pessoas, ou seja, a capacidade de pensar e sonhar um futuro melhor não só para as companhias, como para todos aqueles que trabalham”, assinala Minarelli.

Para o consultor, que tem cerca de 30 anos de experiência em recolocação de executivos, tendo introduzido o conceito de Outplacement no Brasil, a “juniorização” das equipes de trabalho é algo que pode ser constatado em todos os segmentos, da indústria ao comércio, dos serviços às finanças, justamente porque os jovens estão chegando ao mercado de trabalho, aceitam ganhar menos para “adquirir experiência” e podem ser dispensados com menores custos:

“Nesse sentido, podemos estar vivendo algo muito perigoso para as empresas, pois além do “apagão” de talentos, ou seja, a baixa ou nenhuma qualificação dos jovens que chegam ao mercado de trabalho, o que pode ocorrer em muitas empresas brasileiras é um “apagão” intelectual, porque aqueles profissionais mais experientes, que poderiam ajudar as empresas a preparar melhor os jovens, estão sendo dispensados por razões de custo ”, assinala.

De acordo com Minarelli, em um mercado dinâmico, que exige profissionais que consigam interpretar a realidade e propor ações, soluções e inovações, a carência de profissionais intelectualmente preparados pode ser mortal para muitos negócios.

Essa notícia foi publicada no RH Central, em 14/05/10.


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