Empresas podem monitorar o que seus colaboradores fazem na internet

Data 24/06/2013

Um email mal interpretado. Foi isso que mudou o rumo da carreira de Márcia (nome trocado a pedido da entrevistada), consultora de RH. Quando tinha um ano de empresa, ela recebeu um email de alguém desconhecido que queria saber o número de clientes que a empresa atendia. Ela sabia que era monitorada pela empresa em tudo o que fazia na internet, mas, como pensou que fosse uma informação simples, passou sem se preocupar muito com o assunto.

Menos de uma semana depois, foi chamada para uma conversa com o gestor. “Ele me perguntou quem tinha me autorizado a passar aquela informação”, conta ela, que explicou ao gestor que não tinha pedido autorização a ninguém porque não imaginou que fosse um dado sigiloso. A explicação só piorou a situação… No ápice da conversa, a consultora foi demitida por vazamento de informações da empresa. Isso porque o email que ela respondeu sem muita preocupação era da empresa concorrente e gerou uma confusão daquelas.

Um espião entre nós – A falha de Marcia foi descoberta por conta do monitoramento do uso da internet no ambiente corporativo, recurso que a empresa tem total direito de utilizar, segundo Alexandre Atheniense, advogado especialista em Direito e Tecnologia da Informação. “O artigo II da CLT assegura que o empregador pode exercer o seu poder diretivo, ou seja, pode controlar as informações que circulam dentro da empresa”, diz ele. A lição ela aprendeu bem: “Todo o cuidado é pouco com o que fazemos na rede da empresa”, diz ela.

Segundo o advogado, os empregadores fazem esse monitoramento exatamente para proteger o patrimônio e evitar vazamento de informações, como ocorreu na história de Marcia. “A corporação pode ter acesso a tudo que acontece no ambiente corporativo, por isso, ela pode controlar até mesmo contas de emails pessoais e redes sociais”.

Jogando limpo – Para controlar o acesso à internet, a empresa deve informar aos profissionais que eles estão sendo vigiados. “O empregador deve comunicar que o monitoramento é realizado e explicitar quais são os deveres do empregado em relação ao uso da internet”, diz o especialista.

De acordo com o advogado, o profissional deve ter consciência de que todas as informações que ele digita ou utiliza jamais serão particulares. Para não cair na armadilha do monitoramento, Alexandre sugere que o profissional pense cautelosamente antes de escrever um email ou publicar algo nas redes sociais. “O segredo para não ser punido é não agir por impulso. A maioria dos profissionais que recebe advertência sobre mau comportamento online não pensa antes de agir”.

Apesar dos direitos legais das companhias, existem algumas restrições no monitoramento online. “O empregador pode rastrear o email pessoal do profissional, porém, não pode expor e nem tomar decisões com base em informações pessoais”, explica Alexandre.

 


*Essa notícia foi publicada no site Click Carreira, em 21/06/2013

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