Empresas recrutam filósofos e psicólogos para interpretar o ‘big data’

Data 27/01/2014

Apesar de parecer um ramo de atuação reservado a estatísticos e matemáticos, o "big data" (coleta e análise de grande quantidade de informações) pode abrir oportunidades profissionais para quem tem formação em ciências humanas.

Uma parte essencial do trabalho é tirar conclusões a partir de estatísticas e informações que aparentemente não estão relacionadas.

"Você poderia usar os dados do consumo de sorvetes no verão e o número de afogamentos para dizer que tomar picolé é perigoso. Para não cometer esses erros, precisamos de especialistas de várias áreas para analisar as informações que temos", diz Karin Breitman, vice-presidente da EMC, empresa norte-americana que mantém um centro de pesquisas em "big data" no Rio de Janeiro.

Ela conta que o centro de pesquisas contrata serviços de consultorias de profissionais das áreas de filosofia e ciências sociais para projetos. E deve recrutar alguém para trabalhar diretamente na empresa em breve.

Diego Rondon, gerente da área de TI da empresa de recrutamento Page Personnel, diz que a busca por profissionais com diferentes formações deve se intensificar. Segundo ele, nos últimos quatro anos foram procurados profissionais mais técnicos para a criação das bases da pesquisa com "big data" e, agora, começa uma demanda por pessoas com capacidade de interpretação.

Segundo Rondon, a maior parte dos postos de trabalho estará em consultorias especializadas em tecnologia e o salário inicial fica entre R$ 3.500 e R$ 4.000.

Por ser uma área nova, as empresas procuram por profissionais com boa capacidade de raciocínio lógico e estão dispostas a treinar jovens promissores, diz.

Arthur Nagae, 24, formou-se em psicologia há um ano e trabalha analisando dados para a empresa Wunderman, de marketing digital.

Uma das tarefas de Nagae é verificar o desempenho de lojas virtuais e observar em que etapa da compra mais pessoas desistem e por quê.

"Consigo contribuir na hora de ter alguns 'insights', ver novas formas de resolver um problema. A formação de um psicólogo, mais acostumado a pensar em comportamento do que em números, é um diferencial."

*Essa notícia foi publicada no site Folha de São Paulo, em 21/01/2014

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