Empresas reduzem benefícios com saúde para manter equipe

Data 22/09/2009

 

Com a crise, diversas empresas apostaram em diminuir os gastos com benefícios de saúde para evitar cortes maiores no quadro de funcionários.

Essa é uma das conclusões do levantamento feito pela consultoria Hewitt com 309 empresas de diversos setores. Essa edição do estudo, que é anual, foi concluída neste mês. 

Neste ano, chamou a atenção a diminuição do percentual de empresas que oferecem opção de "upgrade" do plano de saúde básico. 

Em 2008, eram 71% das companhias. Em 2009, essa parcela caiu para 36%. 

"O "upgrade" gera passivo para a empresa, já que a lei atual o vê como contribuição do funcionário. Ao ser desligado, o ex-empregado tem direito a um período de seis a 24 meses do plano para o qual contribuía", afirma Ronn Gabay, líder da prática de administração de benefícios da Hewitt. 

Rene Ballo, consultor sênior da Mercer, consultoria de recursos humanos, também vê essa tendência. "Mesmo antes da crise, as empresas já vinham diminuindo a possibilidade do "upgrade" em planos de saúde." 

Segundo o estudo da Hewitt, houve aumento do número de empresas que oferecem check-up a cargos de coordenação e supervisão -foram 17% neste ano, contra 9% no ano passado. 

Por outro lado, entre 2008 e 2009 caiu de 64% para 58% o número de firmas que oferecem os exames para seus colaboradores. "Muitas companhias não conseguem que seus funcionários realmente façam o check-up", analisa Gabay. 

Outras tendências 

Para Ballo, a grande tendência em se tratando de benefícios de saúde é que o funcionário saiba exatamente o valor dos itens a que tem direito. 

O professor de administração de recursos humanos da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) Jean Pierre Marras aposta na diminuição de benefícios fixos e no aumento dos variáveis, ligados a metas. "Assim, é interessante tanto para o funcionário como para a companhia", argumenta. 

Essa notícia foi publicada na Folha Online, em 20/09/2009