Empresas reorganizam estruturas e departamentos

Data 04/08/2015

Em um ano em que as empresas estão segurando investimentos, os departamentos de comunicação e jurídico são os mais impactados pelos cortes internos. Já as áreas de tecnologia, compras e vendas são as que possuem orçamentos mais robustos em um maior número de companhias.

Os dados são de um levantamento da empresa de recrutamento Talenses com 184 empresas de médio e grande porte. Mais da metade delas, 55%, promoveram algum tipo de reorganização na estrutura dos departamentos em razão do cenário de crise de 2015.

Em cerca de um terço, os orçamentos de todos os departamentos se mantiveram os mesmos do ano passado. Quando se observa as áreas que ganharam incremento no orçamento, duas se destacaram. Em 23% das respondentes, a área de tecnologia da informação recebeu mais investimento em 2015 na comparação com o ano passado. O mesmo aconteceu com área de compras e vendas em 16% das companhias.

“São áreas em que investimentos pequenos conseguem otimizar custos e pegar economia ou rentabilidade”, diz o diretor da Talenses, Rodrigo Vianna. Em TI, por exemplo, empresas estão apostando em novos sistemas ou programas que geram produtividade para outras áreas, enquanto uma atenção maior para a área de compras pode significar menos custos no futuro. Já a contratação de novos vendedores acontece visando resultados de curto prazo. “Este é um ano em que a empresa tem que entregar margem, e não volume”, diz.

Os departamentos de comunicação e jurídico obtiveram mais investimentos em 2015 apenas em 6% das empresas, ficando nos últimos lugares da pesquisa. Em 22% das companhias, a área de comunicação teve orçamento menor neste ano.  

De acordo com Viana, isso reflete os cortes nos departamentos de marketing. “Investimentos que por natureza são mais contínuos e costumam ter resultado no longo prazo sofrem mais em momentos como este”, diz. Já o jurídico reflete a sazonalidade da área, que costuma receber mais investimentos quando há maior número de contratos sendo fechados. Em 21% das companhias, o RH teve orçamento menor neste ano na comparação com o passado. 

Segundo Viana, o impacto dos investimentos menores já está aparecendo na forma de demissões. “Se o investimento é postergado, por exemplo, acaba saindo. O quadro atual é de muitos bons profissionais desempregados”, diz. 

Essa notícia foi publicada no site do Valor Econômico, em 29/07/2015

 

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