Empresas se empenham para que saúde dos funcionários não fique em segundo plano

Data 08/09/2010

 

Trocar o dia pela noite, ter um horário cada dia, fazer movimentos repetitivos, ter responsabilidade com valores, permanecer muito tempo sentado ou muito tempo em pé e, além disso, exagerar nas horas extras e optar por um lanche rápido em vez do almoço… Se esses eventos acompanham sua rotina profissional, está na hora de pensar se não está deixando a sua saúde em segundo plano. Mas muitas empresas se esforçam para que isso não ocorra.

De acordo com o presidente da Associação Paulista de Medicina do Trabalho (APMT), Gilberto Archero Amaral, a pressão do trabalho e algumas condições específicas podem afetar negativamente a qualidade de vida do trabalhador, principalmente nas cidades grandes. Ele ressalta que as moléstias mais comuns relacionadas à vida laboral são problemas de coluna, problemas nos ombros e doenças psíquicas, entre as quais as mais habituais são depressão e estresse pós-traumático.

O estresse decorrente de um trauma acomete, principalmente, profissionais que trabalham com valores e que estão mais expostos a atos de violência. “O trauma pode ser um assalto a agência bancária ou a veículos que transportam dinheiro ou cargas preciosas”, exemplifica.

No caso de trabalhos mais seguros, os problemas psíquicos podem ser decorrentes do excesso de horas extras, da variabilidade dos horários – no caso de turnos – ou do trabalho noturno, que é mais desgastante de um modo geral.

Segundo Archero, profissionais que atuam nessas condições são as que tendem a sofrer mais problemas psíquicos, com reflexo nos hábitos de sono e com tendência ao abuso do álcool. “As pessoas que têm trabalhos especialmente estressantes precisam de uma válvula de escape e, eventualmente, o álcool cumpre esse papel, infelizmente”, destaca.

As doenças ortopédicas, por sua vez, decorrem de má postura, levantamento de pesos e movimentos repetitivos, entre outros. O ombro, explica Archero, é uma articulação que se desgasta muito com a idade e pessoas que trabalham com movimentos constantes de elevação dos braços tendem a apresentar esse desgaste.

Sedentarismo

O médico do trabalho, que também é sócio da Assesso – Perícias Médicas, analisa ainda a má alimentação e o sedentarismo e suas relações com a vida laboral. É nesse sentido que ele destaca que os grandes centros tendem a ser mais nocivos para a saúde do profissional.

No caso da alimentação, ele lembra que ainda hoje, em cidades pequenas e médias, as pessoas às vezes têm tempo de ir almoçar em casa com a família, hábito raro nos grandes centros. Devido à falta de tempo, o profissional acaba optando por um fast-food, com muito mais gordura e que provoca a obesidade.

Em relação ao sedentarismo, Archero comenta que as cidades menores tendem a propiciar uma infância e uma juventude mais saudáveis devido ao grau de mobilidade das crianças em brincadeiras fora de casa. “Essas pessoas têm uma atividade física natural ao longo de toda a vida e, com isso, o indivíduo cresce mesmo propenso a sofrer os efeitos de fatores agressivos à saúde.”

Sedentarismo foi o vilão do escrivão Ivan Alves Sobrinho, de 57 anos. Ele conta que devido ao fato de permanecer muito tempo sentado em frente ao computador e ter a pouca disponibilidade para praticar exercícios, acabou tendo uma hérnia de disco. “Fui obrigado a fazer uma cirurgia há cerca de um ano e, como não sou mais uma criança, minha coluna ficou prejudicada para o resto da vida”, reclama. Ele acrescenta que infelizmente não deu a devida atenção para as dores que sentia e isso contribui para piorar o problema, além da falta de atividades físicas.

Trabalho nutricional

A má qualidade da alimentação dos colaboradores também preocupa as empresas. A Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), que realiza um programa nutricional com os seus funcionários. Após 18 anos de acompanhamento dos hábitos alimentares dos seus colaboradores, a empresa conseguiu realizar mais de 3.500 atendimentos referentes à nutrição. “Não é fácil convencer os profissionais de que seguir uma alimentação balanceada é bom, porque nessas situações estamos mexendo com o prazer deles; mesmo assim, percebemos que muitos nos procuram espontaneamente, principalmente nas áreas administrativas, o que mostra uma preocupação com a saúde”, explica a nutricionista do Metrô Idaluci de Almeida Pampin.

Um indicador que demonstra o quanto o trabalho nutricional tem sido efetivo no Metrô é a quantidade de alimentos saudáveis presentes nos pratos dos colaboradores. Segundo a nutricionista, o percentual de legumes e hortaliças por refeição chega a 50% dos alimentos consumidos. “Sem dúvida, isso traz benefícios diretos, principalmente para os que fazem os trabalhos mais pesados, diminuído assim, os problemas de saúde”, conclui Idaluci.

Também atenta à saúde de seus colaboradores, a TIM, operadora de telefonia celular, adotou o caminho do esporte para diminuir a carga de estresse dos seus colaboradores. A empresa realizou, em janeiro, suas primeiras olimpíadas, que contaram com a participação de mais de 2 mil profissionais de todo o Brasil, em diversas modalidades. Para aqueles que preferem algo mais calmo, a companhia oferece ginástica laboral e aulas de Pilates, exercício que ajuda no fortalecimento dos músculos e no controle motor.

Mas a TIM não parou só nas olimpíadas e ginásticas. Outra iniciativa elogiada pelos colaboradores da empresa é o Happy Day, que permite aos funcionários tirarem o dia de aniversário de folga. Como não é muito fã de esportes e ginástica, o gerente de Loja da TIM, Raphael Menezes Braga, acha que essa é a principal ação da companhia para melhorar o estresse. “O aniversário é uma data especial e é bom poder ter folga para aproveitar com os familiares; acredito que essa era uma prática que deveria ser comum em outras corporações”, sugere.

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 02/09/10.