Empresas usam experiência a favor do voluntariado

Data 02/10/2012

O interesse em engajar os profissionais em trabalhos voluntários é uma tendência que já vem de algum tempo. A novidade agora é que as empresas buscam casar a experiência e o conhecimento na área de atuação – ou o perfil dos colaboradores – ao projeto social a ser desenvolvido, com resultados positivos para ambos os lados. Exemplo disso é a Fundação Telefônica | Vivo, que lançou um programa de voluntariado on-line na região Sul do País, beneficiando inicialmente quatro instituições. O projeto está sendo desenvolvido em parceria com a ONG Instituto Voluntários em Ação (IVA), de Florianópolis, responsável pelo portal Voluntários On-line, que permite que pessoas de qualquer lugar possam colaborar sem precisar sair de casa.

O leque de possibilidades de trabalhos desenvolvidos com a ajuda da internet é extenso e variado, explica o gerente de Desenvolvimento Local e Voluntariado da Fundação, Kléber Araújo. “No nosso caso, os voluntários trabalham de casa e podem auxiliar na tradução de textos ou dando consultoria jurídica”, diz. As necessidades que podem ser atendidas pela web, afirma, são definidas previamente em parceria com a ONG.

Araújo defende que não há limites para que companhias, de qualquer área, desenvolvam projetos dessa natureza. “Como somos uma empresa de comunicação, que conecta pessoas, nada mais apropriado do que usar a tecnologia para conectar pessoas dispostas a fazer a diferença trabalhando voluntariamente”, explica Kléber Araújo. “Esse trabalho desperta no colaborador o sentimento de orgulho por participar de uma ação que vai trazer benefícios a outras pessoas”, diz.

O projeto de voluntariado on-line, ainda em fase experimental, terá duração de cinco meses e contará com a participação de 50 colaboradores da Telefônica | Vivo, e deverá ser replicado em escala nacional em 2013, beneficiando cerca de trinta ONGs. Os interessados em participar recebem aulas pela internet sobre a história do voluntariado, do terceiro setor e especificamente sobre o trabalho a ser desenvolvido on-line.

Para a Johnson Controls, multinacional de tecnologia com atuação em 100 países, o voluntariado é uma oportunidade de ajudar a desenvolver o trabalho em equipe. Com a acirrada competição no mercado de trabalho, os colaboradores mais jovens tendem a passar muito tempo preocupados com os próprios interesses. “Alguns jovens são bem individualistas”, afirma a analista de Recursos Humanos da companhia, Francine Cardoso.

São os aprendizes e estagiários que “puxam” os demais profissionais e os incentivam a participar de programas de voluntariado, segundo Francine. Divididos em oito grupos, eles se encarregam de levantar recursos para ajudar as instituições que eles mesmos escolhem. A ação mais recente envolveu os jovens profissionais de todas as áreas da companhia e arrecadou material de construção para reformar uma das ONGs. “Eles foram atrás das ferramentas e os demais colaboradores trabalharam, cada um fazendo alguma tarefa, para que a reforma fosse concluída”, conta a analista de recursos humanos.

Depois desse programa, iniciado em outubro do ano passado, os gestores da Johnson Control ganharam profissionais mais motivados e pró-ativos. “Eles passaram a trabalhar mais em grupo, ajudando uns aos outros, deixaram de ter a visão individualista”, diz.

Ações voltadas para engajar colaboradores a participar dos projetos sociais ou comunitários são positivas e, muitas vezes, usadas como marketing positivo. Porém, o importante é envolver e despertar o interesse genuíno em unir esforços para ajudar ao próximo, observam os especialistas. “Quando servir é o propósito da empresa e do profissional, a tendência é a criação de um ambiente muito mais positivo e de objetivos alinhados”, diz Alessandro Cosin, sócio da Cosin Consulting.

Empresas que lideram ações dessa natureza observam transformações nas relações de trabalho e mudança de comportamento entre os colaboradores. Segundo Cosin, profissionais que se dedicam ao voluntariado desenvolvem a capacidade de se envolver em mais de um assunto, com objetivos e propostas bem diferentes, demonstrando um potencial de gestão e dedicação diferenciadas. “O voluntariado desenvolve no profissional justamente essa capacidade de doação, de se entregar à necessidade de quem está do outro lado”, diz.


*Essa notícia foi publicada no site Canal RH, em 27/09/2012