Empresas usam prêmios, como viagens para ver a Copa, a fim de obter mais resultados e mais união da equipe

Data 01/02/2012

 

Todos os brasileiros ficam ansiosos para a chegada da Copa do Mundo, mas um grupo especial tem um motivo bem concreto para toda essa expectativa. “Mais um pouco e está na hora de arrumar as malas”, diz o diretor Regional da Região Sul do Ponto Frio, Paulo Drago. Ele foi um dos doze funcionários recompensados com uma viagem para assistir à participação da seleção brasileira na África do Sul em junho.

A premiação estava vinculada ao aumento de vendas de dois produtos específicos da rede: a garantia estendida de produtos e o seguro residencial. “Esses não são produtos que o consumidor chega na loja e pede, e portanto dependem da atuação dos vendedores”, diz o gerente de Recursos Humanos do Ponto Frio, Cassiano Vianna. Por terem uma alta rentabilidade para a instituição, ao mesmo tempo em que não fazem parte de seu negócio principal, foram escolhidos para a campanha. “São produtos que não entram no pacote publicitário, que não têm exatamente uma identificação imediata com a marca”, diz Vianna, explicando porque a melhor maneira de aumentar sua comercialização foi por meio da campanha de premiação entre os funcionários.

Os prêmios para estimular os vendedores a oferecer esses produtos financeiros aos clientes tiveram um resultado espetacular em seus três meses de vigência, no final do ano passado – época de negócios aquecidos pela proximidade do Natal. A garantia estendida teve um aumento de 41% e o seguro residencial de 20%. 

Paulo Drago ganhou sua viagem porque a regional sul foi a campeão de vendas entre suas congêneres. “É muito mais gratificante do que uma quantia em dinheiro, algo que a gente vai levar para o resto da vida na memória”, diz o diretor. De acordo com Drago, o segredo para vencer a disputa foi o trabalho feito com união. “A pior coisa que pode acontecer é ficar no cada um por si e chegou uma hora todos estavam ajudando a superar as metas – mesmo aqueles que não tinham mais chance do prêmio individual tentavam fazer o melhor para a equipe sair vencedora”, afirma.

Bônus

O consultor Benedito Pinto Júnior, sócio da MFT Consultores, tem experiência na aplicação de programas de prêmios em empresas de médio porte. Um dos casos de sucesso foi na madeireira Placas do Paraná, na qual os funcionários foram convidados a ser cogestores. A cada sugestão acatada, um número específico de bônus eram revertidos para os empregados, que poderiam ser trocados por prêmios como viagens e eletrodomésticos. “A adesão foi maciça, mas o fundamental em qualquer campanha desse tipo é a participação da direção”, acredita. Para ele, o diagnóstico da política de premiação deve ser feito em cada caso específico e também deve contar com a participação dos gestores no objetivo a ser alcançado.

Uma modalidade que está se desenvolvendo com força é a premiação de funcionários por meio de bônus que podem ser trocados num catálogo oferecido pela internet. O grupo Webpartners oferece essa alternativa por meio do site Webpremios. São três anos no mercado, e a empresa chegou a 2010 com 120 clientes corporativos, 80 parcerias para a entrega de produtos e R$ 200 milhões de faturamento anual, de acordo com seu diretor geral, Otávio Abdala.

Ele considera que esse sucesso é motivado pela estratégia de focar as premiações em produtos, e não em dinheiro. “O dinheiro como forma de reconhecimento tem valor agregado pequeno – aquilo entra na conta do funcionário e acaba diluído nas despesas do dia a dia”, diz Abdala. Drago, do Ponto Frio, tem a mesma impressão quando diz que se recebesse o prêmio pela participação em dinheiro dificilmente faria uma viagem como a que está programada para a África do Sul. “Talvez nem viajasse, e se fosse, a gente acaba escolhendo um destino mais óbvio como a Europa ou os Estados Unidos”, afirma. 

No caso da Webpremios, o funcionário acumula pontuações que são definidas por critério de cada empresa. Após juntar um determinado número de pontos, ele pode entrar no site e escolher os prêmios, que vão desde viagens, carros e motos até pequenos itens domésticos. “Com as pesquisas e trocas que o funcionário faz, nós temos como saber quais são suas necessidades, seus desejos, e acabamos atendendo a essas demandas cada vez melhor”, afirma Abdala. Entre os funcionários que participam do sistema, estão os da Nestlé, 3M, Souza Cruz, BV Financeira e Ford. 

No Ponto Frio, houve uma grande mobilização que também aumentou a união da equipe, com as gerências regionais, os gerentes de loja e os funcionários se unindo como um verdadeiro time. “Isso também traz compensações a longo prazo, e não só enquanto dura a campanha”, diz Vianna.

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 31/03/10.