Envelhecimento da População Economicamente Ativa impõe desafios ao mercado

Data 26/03/2013

A População Economicamente Ativa (PEA) brasileira está ficando mais velha e o número de jovens que ingressam na População em Idade Ativa (PIA) é cada vez menor, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE. Trata-se de movimento natural da economia, mas que trará consequências importantes para empresas de todos os portes e do País inteiro.

No médio e longo prazos, esse cenário proporcionará um menor crescimento da disponibilidade de mão de obra e a falta de profissionais, como alerta Ana Maria Bonomi, economista do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depec) do Bradesco. O cenário atual, de baixo nível de desemprego, só complica a situação – em janeiro, chegou a 5,4%, segundo o IBGE. “Soma-se a isso a baixa natalidade e a expansão da expectativa de vida, com idosos se aposentando cedo, e temos um mercado de trabalho ainda mais apertado”, diz.

Até a produtividade sofre influência dessas tendências. “A redução em números absolutos do ingresso de jovens na força de trabalho faz com que diminua o fluxo de pessoas mais qualificadas na mão de obra, ou seja, isso representa um efeito negativo para o aumento da escolaridade média e, consequentemente, da produtividade da PEA”, afirma. Por outro lado, continua a economista, isso não reflete exatamente queda da produtividade. Os jovens, diz Ana, estão estudando cada vez mais, atingindo níveis mais elevados de instrução, o que faz com que ainda exista um impulso positivo para a produtividade.

Outro aspecto pertinente nesse cenário é a evolução da participação de diferentes grupos etários no total da população. “É a primeira vez na história do Brasil que podemos ver em um mesmo ambiente de trabalho pessoas pertencentes a todas as faixas etárias”, afirma Carlos Felicíssimo Ferreira, diretor da consultoria 4hunter, referindo-se aos dados do IBGE. A diversidade etária tem como vantagem permitir uma maior troca de conhecimento, entretanto, ao que parece, não tem sido aproveitada da melhor maneira.

O distanciamento etário entre os diferentes níveis profissionais dentro de uma mesma empresa gera preocupação no consultor. Haveria, segundo ele, dificuldade para um executivo de 60 anos treinar um substituto, visto que ele ainda estaria na faixa dos 40 anos e com um experiência menor do que a desejada. “O que me preocupa no momento é saber quem irá substituir a geração dos profissionais que têm entre 34 e 37 anos hoje e que estão em cargos de gerência”, afirma.

Manter os profissionais mais velhos no mercado de trabalho por mais tempo é a solução encontrada pelos especialistas para lidar com a situação. "Estamos envelhecendo antes de atingir o grau de desenvolvimento de países europeus, precisamos encontrar maneiras de tornar a mão de obra mais produtiva também", afirma Ana, do Bradesco.

Nas empresas ainda é difícil encontrar uma política estruturada sobre o assunto. As contratações de profissionais mais velhos acontecem conforme necessidades específicas. "No momento das contratações, conversamos com os responsáveis pela vaga e, em algumas ocasiões, promovemos uma reflexão com o gestor, maximizando as vantagens de ter um profissional mais maduro na equipe e o quanto pode agregar no desenvolvimento e relacionamento com os demais colaboradores das áreas, fornecedores e clientes", afirma Fernanda Abreu, responsável por Desenvolvimento, Recrutamento e Seleção na área de Recursos Humanos da TIM Brasil.

Na empresa não há uma política específica de contratação de profissionais mais velhos, mesmo assim ela está atenta às tendências de mercado. "Acredito que as companhias devem estar focadas para conseguir ‘aproveitar’ o melhor que os mais maduros têm para ofertar, estruturando-se internamente para uma mudança de cenário futuro", diz Fernanda.

Ramos empresariais específicos tendem a ter também maior receptividade a esse tipo de mão de obra. Na consultoria de Recursos Humanos StautRH profissionais mais velhos são requeridos para cargos que exigem mais responsabilidades, aproveitando assim a experiência deles. "Qualificações sênior como sabedoria universal, exposição internacional e multinacional, inteligência estratégica para gerenciar pessoas, negócios e resultados, além de inegável capacidade de empreender em culturas diversas são características atrativas desses profissionais", diz A.L.A. Staut – sócio fundador da consultoria.

 


*Essa notícia foi publicada no site Canal RH, em 19/03/2013

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