Estudantes começam a fazer estágio a distância nos EUA

Data 20/02/2013

Para seu estágio em mídia social na Do Something, uma organização sem fins lucrativos em Nova York cujo objetivo é promover o ativismo entre os jovens, Felicia Kirkpatrick verifica o que a chefe precisa antes de começar o trabalho do dia. O que isso tem de incomum? Ela trabalha via Skype de seu quarto no alojamento da Universidade do Texas, em Austin.

Fitzpatrick, 20, está entre os alunos que, em número crescente, fazem estágios virtuais nos Estados Unidos – em postos que não requerem que eles vão ao escritório. A Internships.com, que oferece mais de oito mil estágios virtuais, reportou um aumento de 20% na demanda por esse tipo de posto no ano passado. Um levantamento da organização junto a 303 empregadores constatou que um terço deles já ofereciam estágios remotos em 2012 ou planejavam fazê-lo a partir deste ano.

Os estágios remotos muitas vezes envolvem trabalhar em projetos de pesquisa ou empreitadas de mídia social, e para isso apenas um laptop e uma conexão com a internet são necessários, em muitos casos. Os estágios virtuais fazem sentido em um mundo de companhias globalizadas e forças de trabalho virtuais trabalhando remotamente. As companhias tradicionais também encontram nos jovens estagiários uma força de trabalho que sabe bem como administrar uma conta de Twitter ou Facebook.

"A ideia de trabalho está mudando para muita gente", diz Brie Welzer, 28, que trabalha no setor de marketing da Green Seal, uma organização ecológica sem fins lucrativos que utiliza estagiários virtuais. "O teletrabalho está se tornando cada vez mais comum. É menos dispendioso e de muitas maneiras mais produtivo que o trabalho em um escritório." Entre os requisitos do programa de estágio virtual da Green Seal estão capacidade de trabalhar independentemente, clareza na escrita e uma conta de Skype (com webcam "de preferência").

As vantagens são muitas. Os alunos têm mais oportunidades de trabalho, especialmente durante o ano letivo, e não precisam cobrir despesas de transporte e moradia. Os estágios virtuais oferecem flexibilidade de horário, o que permite que os estudantes acomodem suas aulas e até mesmo empregos de tempo parcial. Fitzpatrick trabalha de 12 a 15 horas por semana, para obter crédito acadêmico, e às vezes cuida da página da Do Something no Facebook no seu horário livre noturno.

Mas embora a experiência possa preparar bem os estudantes para a nova ordem que Welzer descreve no trabalho, os estágios remotos nem sempre oferecem as lições cruciais que podem ser aprendidas pela presença física, por exemplo percepções sobre expectativas profissionais, cultura empresarial e etiqueta de escritório.

"Embora essas opções possam propiciar experiência valiosa ao universitário atual, lhes falta aquele componente de treinamento que os ensinaria a se tornarem trabalhadores melhores", diz S. Shyam Sundar, diretor do laboratório de pesquisa sobre efeitos de mídia da Universidade Estadual da Pensilvânia, que estuda as maneiras pelas quais as pessoas interagem e se comportam online. "São trabalhadores sem apoio", ele diz, "para compreender como se dar bem na força de trabalho".

Ele acautela que os estágios virtuais acarretam o risco de que o estagiário seja esquecido por um coordenador de programa ocupado, e que os estagiários virtuais bem sucedidos são aqueles que se comunicam assiduamente com seus empregadores e perguntam sobre como seu trabalho está sendo recebido.

Além disso, antes de aceitar o estágio o candidato deve pesquisar sobre a empresa. Alguns indicadores negativos: endereço de e-mail genérico como gmail ou hotmail, ou ter um escritório caseiro como sede.

Fitzpatrick, que no futuro planeja trabalhar em marketing digital, diz que está aprendendo a conduzir campanhas de mídia social e a alternar tarefas na Web, e não crê que precise estar no escritório para isso (ela passou suas férias de verão em um estágio tradicional na sede da organização.)

Mas Fitzpatrick não gostou de estar ausente da festa de final de ano da Do Something. "Se eles tivessem uma webcam ligada, eu poderia fingir que estava lá", diz. "Mas fora isso, trabalhar de longe não muda muita coisa".

 

*Essa notícia foi publicada no site Folha de São Paulo, em 5/02/2013

Compartilhe:

Comentários