Executivos dizem que é possível aprimorar a gestão durante a crise

Data 06/07/2015

Além das preocupações imediatas com o agravamento da crise e das perspectivas negativas para este e o próximo ano, os executivos brasileiros precisam lidar com stakeholders mais exigentes e com a falta de engajamento de suas equipes. Paralelamente, desafios globais relacionados a transformações econômicas, tecnológicas e sociais se fazem cada vez mais presentes.

Apesar de toda a pressão, os dirigentes estão otimistas em relação ao impacto que essas mudanças terão em suas organizações no médio e no longo prazo. Essa é uma das conclusões da pesquisa exclusiva do Brazilian Management Institute (BMI), feita em parceria com a Toleto & Associados, com 100 representantes de grandes e médias empresas de diversos setores no Brasil – sendo 41 presidentes, 30 vice – presidentes e 29 diretores.

De acordo com Daniel Augusto Motta, CEO da consultoria, 96% dos executivos entrevistados admitem que essas mudanças afetam o papel da liderança dentro das empresas, mas 83% enxergam isso de maneira positiva. “O principal motivo é que o cenário adverso os faz sair da zona de conforto. É preciso criar, inovar e buscar atualização constante”, afirma. Outras consequências desse cenário turbulento percebidas como benéficas pelos gestores são a necessidade de o líder adotar uma postura mais participativa, a melhoria da qualidade dos produtos e serviços, e o aumento da flexibilidade das organizações.

Os stakeholders, de maneira geral, estão se tornando cada vez mais conscientes na opinião de 88% dos executivos. Se por um lado a cobrança maior continua sendo a dos acionistas – por mais resultados em prazos menores -, por outro a sociedade que transparência, inclusive em questões ambientas. Já os funcionários têm exigido desenvolvimento, treinamento e compartilhamento de informações.

Na opinião de 30% dos entrevistados, o primordial na crise é a formação de líderes. Em seguida, vem a capacidade de inovar, mencionada por 25%. Já os três fatores que definem o alto desempenho para eles são a gestão menos técnica e mais voltada às pessoas, a alta produtividade e a capacidade de resolver problemas.

Para Motta, esse contexto exige uma nova abordagem de gestão. “O líder autômato, focado em controle, comando e hierarquia, precisa dar lugar ao líder essencial, que atua de forma colaborativa, mobilizadora e facilitadora”, explica. A necessidade dessa transição fica evidente, por exemplo, no desafio da sucessão. “O gestor precisa manter os talentos motivados mesmo com vagas congeladas e projetos interrompidos”, afirma.

A superação de todos esses obstáculos é dificultada pelo atual ambiente de desconfiança e de maior tensão no mundo corporativo. O CEO afirma que, em razão da crise, a maioria dos profissionais sofre mais pressão por resultado e convite diariamente com o temor de perder o emprego. “Isso inibe os diálogos abertos e é um impeditivo para a colaboração, inovação e a criatividade das equipes.”

 Servir de exemplo e adotar uma postura transparente, ética e clara a respeito das metas e resultados são algumas das estratégias dos dirigentes para despertar o que há de melhor em suas equipes nesse cenário. Além disso, eles disseram ser essencial delegar responsabilidades e dar autonomia aos subordinados. “Podemos dividir essas iniciativas entre ‘ser’ e ‘atuar’. O complemento a isso é trabalhar as habilidades e extrair o potencial de cada profissional. É o que chamamos de construir”, diz Motta.

Esta notícia foi publicada no site do Valor Econômico, em 06/07/2015

Compartilhe:

Comentários