Faltam talentos no mundo do mercado de trabalho sem fronteiras

Data 30/01/2012

 

Poucos talentos atuando sem fronteiras por meio de tecnologia para atender um cliente mais alerta e sofisticado, esse é o resumo do cenário apontado pelo vice-presidente de Soluções globais da Right Managment, Tony Santora, em sua palestra World of Work: Quatro Prioridades de RH no Mundo sem Fronteiras, apresentada nesta quarta-feira, no Conarh 2010.

A escassez de talentos é a perspectiva de futuro que mais aflige o mundo corporativo atualmente e foi um dos fatores apontados como prioritários por Santora. Outras prioridades sugeridas pelo especialista para as companhias enfrentarem o futuro com competitividade envolvem tecnologia, escolha individual e a sofisticação dos clientes.

Em sua palestra, ele chama a atenção para o fato de que os países emergentes são vistos internacionalmente como fontes de talentos para os centros mais desenvolvidos do mundo. Se faltam engenheiros na Europa ou nos Estados Unidos a solução imaginada por eles é “Vamos buscar profissionais no Brasil”, exemplifica Santora. O problema é que por aqui também faltam profissionais.

Entre as 10 categoriais mais difíceis de se encontrar talentos, a engenharia, que é a quarta mais difícil internacionalmente, é a sexta mais difícil no Brasil. Ou seja: por aqui, quase tanto quanto lá, talentos estão escassos.

E os gestores brasileiros precisam mesmo estar atentos. Afinal, segundo os números da pesquisa da Right Managment, 62% dos profissionais entrevistados no País em diversos setores não estão engajados com a companhia; 36% pretendem sair da empresa este ano e 44% estão atualizando o currículo e ativando a networking.

O consultor explica, entretanto, que mesmo havendo um descompasso entre oferta e demanda por profissionais em diversos setores o fenômeno não implica necessariamente elevação dos salários para esses profissionais. “Haverá aumento, mas é importante perceber que atualmente a remuneração não é considerada o fator mais importante para atração e retenção dos salários; as pessoas valorizam mais oportunidades de crescimento e possibilidade de adquirir novas habilidades”, analisa.

Dispersão física

Outro aspecto ressaltado por Santora na palestra foi sua percepção de que vivemos uma revolução tecnológica e que os gestores precisam aprender a lidar com essa realidade. Uma habilidade requisitada será a capacidade de gerir equipes dispersas fisicamente e comunicando-se por sistemas tecnológicos. Ele cita a própria experiência como exemplo desse tipo de gestão. “Faço grande parte do meu trabalho nos aeroportos e me comunico frequentemente com uma equipe que atua na Argentina, Vietnã, África do Sul e outros lugares.”

A terceira tendência apontada por Santora como essencial para a competitividade das empresas é garantir aos talentos liberdade de escolha para gerenciar suas carreiras. “Permitir escolhas aos colaboradores é como garantir oxigênio à empresa”, afirma Santora. De acordo com os dados apresentados pela Right Management, uma empresa que oferece a possibilidade de o profissional escolher seus processos de desenvolvimento tem seis vezes mais probabilidade de engajar seus talentos; quatro vezes menos probabilidade de perder seus talentos e 2,5 vezes mais produtiva do que empresa mais rígidas.

Finalmente, o especialista aponta para a transformação do próprio consumidor, que é mais alerta, mais exigente e com maior capacidade de propagação de sua opinião por meio das redes sociais. “Antigamente um cliente tinha uma experiência ruim com uma empresa, ele contava para 100 pessoas; hoje ele conta para um milhão na internet”, compara. Esse consumidor é que precisa ser atendido adequadamente e isso só é possível se o profissional estiver satisfeito e capaz de fazer seu trabalho com convicção.

Santora lembra, ainda, que as transformações do mundo laboral sugerem alterações nos comportamentos de todos os elos da cadeia produtiva: os profissionais precisam estar atentos à qualificação; as empresas precisam se organizar para fazer mais com menos; e os países precisam estabelecer políticas para que seus profissionais e suas empresas sejam competitivos globalmente.

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 18/08/10.

Comentários