Férias exigem planejamento

Data 30/11/2011

Férias é um período para descansar e se desligar da vida profissional, certo? Na teoria, sim. Na prática, nem sempre isso acontece, seja porque a pessoa não consegue se desincumbir de todas as tarefas ou simplesmente porque não consegue se desligar do trabalho. Qualquer que seja o problema é preciso atenção por parte da empresa e do funcionário, pois o repouso é necessário e contribui para dar novo fôlego às idéias e mais disposição para trabalhar. Férias também exige planejamento, para que os profissionais não se sobrecarregam nem antes nem depois do período de ausência.

A dica é pensar nas férias com antecedência. Para Marisa Silva, consultora da Career Center, tanto a companhia quanto o profissional que vai se ausentar devem estar alinhados. O primeiro passo é fazer um levantamento das tarefas e dos projetos pendentes. “Com isso, é possível definir se será necessário remanejar um funcionário de outra área ou mesmo contratar outro profissional para cobrir as férias”, explica. Sem esse alinhamento, a tendência é que o profissional que vai sair em férias fique sobrecarregado antes e depois da pausa. Existe ainda o risco de os colegas de trabalho terem que arcar com tarefas e decisões para as quais não estavam preparados, aumentando as chances de erros e equívocos.

“Quando não há sinergia, e a empresa funciona de maneira segmentada e sem comunicação, a tendência é que os projetos fiquem parados, os clientes sem atendimento, os problemas sem solução e, com isso, a companhia fica comprometida. Em menor escala, o próprio profissional e a área onde ele atua acabam sofrendo as consequências da desorganização”, afirma Marisa.

É nessa hora que o papel de um bom gestor faz toda a diferença. Cabe a ele saber o que cada um está desenvolvendo e articular pessoas e áreas. Ao saber que um funcionário vai sair de férias, ele deve programar todos os demais para lidar com aquela ausência, dividindo funções e responsabilidades. Marisa conta que muitas empresas esperam essa postura do gestor e quando há falhas nesse processo é ele quem assume a responsabilidade.

Preparação para a ausência

Em muitos casos, a programação de férias das empresas é feita para o ano todo e fechada até novembro ou dezembro do ano anterior, com a participação dos gestores e funcionários das áreas, de modo que todos saibam, com bastante antecedência, quando cada um estará ausente. “Assim, o profissional pode tanto fazer sua programação pessoal quanto organizar o trabalho e distribuir as tarefas. Essa flexibilidade é boa para o gestor, para o funcionário e para a empresa, pois dá equilíbrio e se ajusta às necessidades de todos”, acredita Maria Cecília Antunes de Souza, diretora de Recursos Humanos do Grupo Impacta Tecnologia.

Ela explica que, na empresa, o próprio funcionário que vai sair de férias analisa para quem irá distribuir suas tarefas de maneira a não sobrecarregar ninguém. Assim, é feita a distribuição das tarefas para outros funcionários do departamento com funções compatíveis, de modo que não necessite contratar outro profissional.

“Fica um clima de colaboração e os colegas aprendem um pouco a tarefa uns dos outros. Em casos em que não é possível distribuir a tarefa, opta-se, então, pela contratação de um profissional externo ou pelo remanejamento interno”, explica Maria Cecília. “Isso precisa ser definido com bastante antecedência para não prejudicar o andamento da empresa, pois o profissional remanejado precisa, às vezes, ser treinado para exercer a função”, complementa.

A consultora Marisa alerta que os profissionais que não conseguem planejar suas atividades e distribuir tarefas para que a empresa funcione na sua ausência demonstram despreparo, centralização excessiva e falta de dinâmica para atividades em grupo. “Deixar o celular ligado, diferente do que muitos podem achar, é um mau sinal. O profissional deve estar seguro o suficiente para realmente se desligar do trabalho durante as férias”, diz Marisa.

Para Maria Cecília, é preciso implantar a cultura de que ninguém é insubstituível, que as tarefas devem ficar na empresa e que os processos e procedimentos devem ser documentados. “O funcionário, ao sair de férias, deve fracionar o trabalho em partes e documentá-las, entregar uma cópia ao superior ou gestor, e uma cópia para cada colega que ficará com a tarefa. É recomendável também que, ao retornar das férias, ele faça uma reunião de alinhamento com os colegas, que poderão inclusive propor sugestões para melhorias das rotinas de trabalho”, finaliza Maria Cecília.

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 22/11/2011.