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Formação além da empresa pode ajudar na valorização do profissional

Data 20/02/2013

Existem diversas maneiras de um executivo ser mais valorizado no mercado. Um ponto de partida comum para isso, no entanto, quase sempre vem da decisão do profissional de se aprimorar.

Nesse sentido, cursos de pós-graduação e de MBA são importantes não só para agregar conhecimento e enriquecer o currículo, mas também para identificar interesses e conhecer pessoas que atuam em outras áreas. O coaching, por sua vez, leva o profissional a uma outra viagem, interna, para que ele perceba seus pontos fortes e também as deficiências que o atrapalham nas promoções.

Também é possível investir na fluência em outros idiomas, desenvolver a capacidade de se comunicar com públicos diferentes, além de habilidades específicas apreciadas pela empresa em que trabalha. "Você pode não ter a menor vocação para tocar saxofone, mas se dedicar algumas horas para isso todos os dias vai acabar aprendendo", observa Antonio André Neto, coordenador de MBA na FGV.

Marcia Wendy era coordenadora técnica em uma seguradora, na qual havia entrado como assistente 14 anos atrás, quando sentiu que era hora de mudar. "Isso foi em 2009, logo depois de fazer meu MBA. O Brasil havia quebrado o monopólio no segmento de resseguros dois anos antes, abrindo as portas para companhias internacionais. Decidi que estava mais do que na hora de sair da zona de conforto e encarar um novo desafio profissional", diz.

Ela aceitou a proposta de uma corretora de resseguros para um cargo do mesmo nível, mas que lhe daria a oportunidade de atuar num âmbito muito mais abrangente, intermediando a venda de riscos a empresas espalhadas pelo mundo todo. Ao mesmo tempo, passou a dar aulas, explorando uma nova frente de trabalho. Poucos meses atrás, impulsionada pelo conhecimento adquirido no curso e pela experiência de três anos em uma nova área, Wendy transferiu-se para a Miller Corretora de Resseguros, uma das líderes mundiais no segmento – desta vez para assumir a gerência técnica do escritório de São Paulo.

Hoje, ela lidera uma equipe de 20 funcionários e tem apenas um diretor e o CEO como superiores hierárquicos. Se não seguiu o caminho mais curto de ascensão profissional, soube se reposicionar a tempo, uma vez que tem apenas 34 anos.

Já Silvio Argimon, 53 anos, está prestes a completar uma trajetória invejada por milhões de brasileiros. Bancário de carreira, chegou ao posto de executivo na Nossa Caixa, migrando depois para a posição de gerente de negócios quando esta foi absorvida pelo Banco do Brasil. Está a dois anos da aposentadoria integral, turbinada com um plano de previdência privada, mas ele não pensa em parar. "Quando deixar o banco, vou me dedicar à vida acadêmica, com a qual me identifiquei durante o curso de gestão de negócios da FGV", revela. Argimon já atua como professor assistente na própria FGV e espera ser efetivado tão logo se despeça do BB. A expectativa de construir uma nova carreira deu a ele uma motivação que não experimentava há muito tempo. "Sinto-me mais jovem e cheio de energia do que dez ou vinte anos atrás", garante.

A mineira Isabel Rolla França, que atua nas áreas de educação e RH desde 2004, entendeu que o MBA concluído no ano passado na Fundação Dom Cabral foi tão enriquecedor que merecia ser complementado por um período sabático para reflexão profissional. "Dei uma parada para avaliar melhor o mercado e intensificar as leituras. Já tenho algumas propostas de trabalho e vou decidir com calma o meu próximo destino na carreira", diz.

Isabel tomou a decisão de fazer um balanço da carreira no momento em que ocupava duas funções relevantes, a superintendência de RH da secretaria de Planejamento de Minas Gerais e a orientação de mestrado do grupo educacional Kroton. Sua expectativa é voltar ao mercado com uma remuneração equivalente à que recebia antes de se afastar dos dois empregos – com a diferença de que estará mais bem preparada para encarar os desafios profissionais. "Hoje enxergo os processos com mais clareza, de forma mais abrangente."

A decolagem na carreira nem sempre exige mudança de emprego – ao contrário, é perfeitamente possível um profissional descontente conseguir o reconhecimento almejado dentro da própria empresa em que trabalha, garante José Augusto Figueiredo, da consultoria de transição de carreira LHH/DBM. "Basta ele entender melhor as prioridades corporativas e se ajustar para atendê-las", afirma.

Figueiredo lembra o caso de uma advogada paulistana, de 35 anos, que estava se sentindo desmotivada e pensava em mudar de emprego. "Mostrei a ela que seu trabalho teria mais visibilidade se trouxesse ideias de novos negócios. Ela pesquisou segmentos que não estavam sendo explorados e apresentou duas propostas que darão ao escritório algo tão valioso quanto dinheiro: prestígio. Ela deverá se tornar, em breve, sócia da empresa."

 


*Essa notícia foi publicada no site Valor Econômico, em 20/02/2013

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