Funcionários consideram gestores bipolares, autoritários e inseguros

Data 26/08/2013

Os chefes no Brasil são vistos como bipolares, autoritários, enroladores e inseguros. É o que aponta levantamento inédito realizado pela VAGAS Tecnologia, empresa especializada em consultoria e informatização da gestão de processos seletivos. De acordo com o recente estudo, os subordinados indicam que 60% de seus líderes possuem alguma dessas características. Os outros 40% dos chefes foram qualificados como amigos, visionários, detalhistas e paz e amor.

"Esses resultados servem como um sinal de alerta para os chefes de uma maneira geral. A maioria dos subordinados desses líderes traçou um perfil negativo de seu chefe. Isso mostra que há uma insatisfação generalizada dos funcionários com seus gestores e que o líder precisa urgentemente reavaliar seus conceitos, seu modelo de gestão e seu ritmo de trabalho", explica Fabíola Lago, coordenadora do estudo na VAGAS Tecnologia.

O levantamento foi realizado em julho deste ano por meio de uma enquete disponível nas redes sociais e no portal de carreira vagas.com.br. Do total de respondentes (10670), 54% são mulheres e 46% homens. Dos participantes, 24% estão na faixa etária de 18 a 24 anos; 24% têm de 25 a 29 anos; 22% de 30 a 34 anos; 13% de 35 a 39 anos; 7% de 40 a 44 anos; 8% de 45 a 54 anos; 1% possui 17 anos ou menos e outro 1% tem 55 anos ou mais. Da massa envolvida no estudo, 60% afirmaram que estão trabalhando e 40%, não. E 92% informaram ainda que têm um chefe direto ou alguém que responda por suas ações.

Os participantes da enquete ocupam os seguintes cargos:

– 16% coordenadores e supervisores.
– 24% analistas e trainees.
– 9% gerentes.
– 44% estagiários, assistentes, auxiliares, técnicos, operacionais, atendentes etc.

O levantamento também procurou identificar, entre os oito perfis de chefes propostos na enquete, qual predominava isoladamente a partir das respostas dos funcionários. O bipolar liderou com 30% de identificação. O amigo foi classificado por 13% dos respondentes. Já o visionário/ousado foi qualificado por 12% dos participantes. A figura do agressivo/autoritário é realidade para 12%. O enrolador aparece com 11% das menções. No caso do detalhista/perfeccionista, 9% enquadraram seus líderes nesse perfil. O inseguro foi apontado por 7% dos respondentes e 6% disseram que têm chefe paz e amor.

O estudo procurou saber dos subordinados qual hierarquia esse chefe pertence. De acordo com os resultados do levantamento, 34% deles ocupam um cargo de gerência; outros 34% são coordenadores ou supervisores; 30% pertencem à alta gestão (dono de empresa, presidente, vice-presidente, superintendente ou diretor) e 2% são líderes operacionais. O perfil dos chefes também foi verificado: 64% são do sexo masculino e 36% do sexo feminino, sendo 40% com idade de 31 a 40 anos e 47 % possuem mais de 40 anos.

Outra questão avaliada nesse estudo é se o funcionário gosta ou não do seu chefe. Os que não gostam são 29%. Os que não sabem se gostam totalizam 18%. Aqueles que gostam somam 39% e os que gostam muito representam 18%. "Apesar de serem vistos como nocivos ou prejudiciais, os funcionários ainda respeitam a figura do chefe. Eles são a referência para muitos daqueles que pretendem ter uma carreira vitoriosa e um líder é o espelho para eles", explica a coordenadora.

Ao analisar a popularidade do chefe por cargo, ficou constatado que a rejeição aos líderes é maior nos postos mais elevados. Os chefes de alta gestão não são queridos por 29% de seus comandados. Os gerentes não são bem quistos por 31% de seus subordinados. No caso dos coordenadores e supervisores, os funcionários que não gostam desses líderes somam 27%. Os chefes de estagiários, assistentes, auxiliares, técnicos, atendentes e operacionais não são queridos por 31%. A menor rejeição ficou por conta dos chefes de analistas e trainees, registrada em 20%. "O alto escalão não está conseguindo transmitir carisma e outras qualidades que um verdadeiro líder precisa ter. Isso pode comprometer o rendimento da equipe e refletir nos resultados da companhia", conta ela.

Os funcionários também foram questionados sobre a possibilidade de recomendar algum amigo a trabalhar com seu chefe. A maioria (56%) não recomendaria ou não sabe se recomendaria e 44% afirmaram que sugeririam a um colega para trabalhar com seu líder. "Esse dado revela que a maior parte dos funcionários não quer que outro profissional que ele conheça passe pela mesma experiência que ele. É mais um indicador de saturação com o modelo de gestão adotado por esse tipo de chefe", revela Lago.

O comportamento do chefe durante uma reunião foi outro ponto questionado aos funcionários. Para 35%, seu líder é objetivo/ pragmático nessas ocasiões de trabalho. Ser conciliador é a característica principal do chefe para 22% nesses encontros. Outros 15% acreditam que seu gestor não tem foco nas reuniões. A agressividade é marca registrada do líder para 13% nessas ocasiões. Um grupo de 9% acha que seu chefe é inseguro em reuniões e 6% aponta que a desorganização é o fator preponderante de seus líderes nos encontros.

Funcionários querem um chefe, mas o dispensam para executar tarefas

O levantamento checou junto aos subordinados se eles gostariam de ter chefes e outras questões pertinentes na relação patrão/ empregado:
– Para 91% dos respondentes, é possível realizar as atividades sem a figura ou presença do chefe.
– Há 53% de participantes que gostariam de ter um chefe.
– 70% afirmaram que seu chefe merece respeito.
– 57% apontaram que seu gestor defende a equipe.
– 45% disseram que seu gestor cobra metas impossíveis.
– 42% informaram que seriam demitidos sem ser advertidos.
– 41% acreditam que o chefe tem medo de perder o cargo para seu funcionário ou pessoa próxima.
– 36% estão dispostos a pedir demissão por causa do chefe.

Entre os motivos destacados pelos respondentes para ter um chefe, aparecem: por que meu trabalho necessita de uma autoridade, para me desenvolver, para exigir metas, para fazer todo o trabalho dele, para nada, para me motivar, para pegar no meu pé e para gritar comigo.

O estudo procurou saber se os funcionários tinham interesse em ampliar o relacionamento com seus chefes para além do ambiente de trabalho. Mais da metade dos consultados (55%) não adicionaria seu patrão em nenhuma rede social. Em contrapartida, 55% disseram que o chefe seria bem-vindo no happy hour. "As pessoas querem manter distanciamento do seu líder nas horas vagas, especialmente nas redes de relacionamento. É um ambiente onde muitos procuram privacidade e diversão e o chefe nem sempre está relacionado a esses momentos", diz Lago.

A chegada do chefe ao escritório é outro aspecto curioso apontado no levantamento. Questionados como fica o clima quando seu líder chega ao trabalho, 37% afirmaram que o tempo fecha; 32% associaram a um campo de batalha; outros 17% disseram que é só alegria e 14% revelaram que é o paraíso. "Mais da metade associa o impacto da chegada do chefe a uma tragédia ou algo parecido. É um indicador de clima fundamental e que deve ser avaliado com cuidado pelas empresas e por chefes que não têm proximidade ou afinidade com sua equipe", conclui a coordenadora.
 


*Essa notícia foi publicada no site RH.com.br, em 20/08/2013

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