Gente: o maior diferencial competitivo

Data 26/01/2015

Marcio Fernandes começou a trabalhar cedo. Com 12 anos ele ingressou como auxiliar em uma oficina mecânica e logo depois conseguiu uma vaga em uma filial da rede de lojas Pernambucanas. Trabalhou em várias organizações e em 2004, entrou como Gerente de Controladoria na Elektro, empresa do ramo de distribuição de energia, onde passou por diversas áreas até assumir, em 2011, a presidência da companhia.

Por ter origem humilde, Marcio sentiu necessidade de fazer uma gestão mais próxima dos colaboradores. E foi graças ao seu estilo de gerir pessoas que a Elektro conquistou a maior nota da história da pesquisa Guia VOCÊ S/A – As Melhores Empresas para Você Trabalhar 2014. Em uma escala de zero a 100, na qual o maior número corresponde à plena satisfação dos funcionários, a gestão dele recebeu nota 98,26 na avaliação dos 3.700 empregados.

Em entrevista à Huma, Marcio explica quais foram os maiores desafios enfrentados durante sua trajetória e destaca o papel dos gestores na construção de resultados para o negócio da empresa.

Huma: Quais desafios você já enfrentou em sua carreira?

Marcio Fernandes: A estrutura tradicional de liderança propõe que o gestor seja um técnico. Eu, particularmente, não acredito nisso. Para mim, um bom gestor tem de saber gerir, ou seja, conhecer a estratégia de negócio e trabalhar nela, sobretudo com as pessoas. No início, essa ideia foi muito polêmica, pois essa gestão mais próxima, baseada na confiança e credibilidade era algo muito raro. Anteriormente, o que se fazia era pegar bons técnicos e transformá-los em maus gestores de pessoas.

Eu tentei trilhar um caminho diferente na Elektro. Nós tínhamos pessoas com afinidades de carreira que deveriam ser respeitadas. Então, nós criamos, por exemplo, uma carreira em Y com um caminho bem vasto para quem deseja se especializar em áreas técnicas. Por outro lado, quem tem vontade de trabalhar com gestão de pessoas pode buscar um desenvolvimento mais genérico focado na construção das estratégias da empresa.

Huma: Por que é importante que as empresas invistam em seus líderes?

Marcio Fernandes: Os custos de uma empresa têm limites. A capacidade humana não. Então, nós podemos combinar os propósitos da empresa aos propósitos das pessoas. Isso talvez seja o grande ponto a ser pensado, pois a diferença desse conceito na prática é tão brutal que pode ser decisiva entre matar um produto, e até mesmo uma empresa, ou fazer com que ela prospere.

A forma tradicional de desenvolvimento de liderança, aquela que ensina técnicas básicas, já não é mais suficiente. Nós não podemos nos enganar e continuar formando líderes para uma liderança que já não existe mais. Hoje, a liderança é compartilhada e cada vez mais situacional. Nós precisamos formar, acima de tudo, líderes que tenham a capacidade de se relacionar, de se aproximar das pessoas e por meio dessa proximidade conquistar confiança e credibilidade.

Huma: Qual é o maior prazer em trabalhar com pessoas?

Marcio Fernandes: O que mais me impressiona e me dá prazer é ver as pessoas se desenvolvendo, construindo diferenciais competitivos que as levem mais próximas dos seus sonhos. Isso tem sido a razão de eu me sentir bastante lisonjeado pelo modelo de gestão que desenvolvo, embora polêmico no início, mas que agora está sendo buscado por tantas empresas.

Huma: Como a gestão de pessoas pode ajudar de fato que a empresa alcance os resultados e objetivos de negócio?

Marcio Fernandes: Nós temos uma filosofia que parte do princípio de que a vida é o mais importante e a família é fundamental. Dessa forma, nós conseguimos convergir entre os propósitos da empresa e das pessoas como eu disse anteriormente. As pessoas conseguem visualizar a progressão de carreira ou dos seus interesses mais nobres por contribuir com a sociedade.

Então, não precisamos mais de política de retenção, porque as pessoas se encantam e querem contribuir voluntariamente. Não existe mais o manda quem pode e obedece quem tem juízo. Isso já ficou para trás há muito tempo. As pessoas decidem romper e escolhem a nossa empresa. Quando isso acontece diminuímos naturalmente as perdas e a inércia operacional que o desânimo, muitas vezes, impõe ao negócio do Brasil.

Trabalhando dessa maneira já conquistamos alguns números bastante interessantes. Quase 100 milhões de reais em eficiência, o que representa 22% do nosso custo operacional e outros 10% de eficiência na qualidade de nossos serviços, sem fazer investimentos adicionais para isso. Além de todo o reconhecimento advindo dos prêmios Abradee, Nacional da Qualidade, Guia Exame de Sustentabilidade e A Melhor Empresa para Você Trabalhar.

 

Gente: o maior diferencial competitivo

Marcio Fernandes ingressou na Elektro em 2004 como Gerente de Controladoria, passou por diversas áreas e assumiu a Presidência em 2011, aos 36 anos. Anteriormente atuou por 14 anos em outros grandes grupos. Administrador de Empresas com MBA em Controladoria pela FEA/USP com passagens por Stanford e Insead. Formado pelo IBGC também ocupa a posição de Conselheiro da Fundação Nacional da Qualidade. No comando de uma das maiores distribuidoras de energia do Brasil,  conseguiu em dois anos, reduzir em 22% os custos operacionais e aumentar em 15% a qualidade dos serviços da Elektro, que foi eleita a melhor empresa para trabalhar do País por 3 anos consecutivos. Considerado o líder mais admirado do país pela revista Você S/A.

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