Geração Y traz novos desafios para as empresas

Data 28/10/2009

 

Como as empresas devem enfrentar os desafios colocados por uma nova geração de jovens profissionais, a Geração Y? 

Essa geração é intensamente familiarizados com a tecnologia, habituados a fazer várias atividades ao mesmo tempo, autoconfiantes, que se sentem atraídos por ambientes que estimulam a criatividade e a liberdade de expressão e que tendem a mudar de emprego com frequência. 

Este foi o tema que atraiu profissionais de recursos humanos de empresas e representantes de instituições de ensino superior para a palestra de Maria Lúcia Guimarães de Macêdo, promovida pelo IEL de São Paulo, dia 26 de outubro. Especialista em Gestão da Qualidade em Serviços e Recursos Humanos, Maria Lúcia é consultora do IEL há 21 anos, com larga experiência na área de programas de estágio e de qualidade. 

Entre as características dessa chamada "Geração Y", segundo Lúcia, estariam a tendência à informalidade e ao questionamento, o pouco interesse por gerenciar e uma certa preferência por trabalhar por projetos. "São jovens dinâmicos, antenados, com facilidade para trabalhar em equipe, mas que anseiam por flexibilidade e mobilidade, que necessitam de feedbacks e que querem ascender rapidamente", frisou, destacando que essas características representam novos desafios e novas oportunidades para as empresas. 

De um lado, esse espírito questionador, a criatividade e a intimidade com muitas tecnologias, característicos dessa geração, estão na base das inovações tecnológicas, que se converteram no principal determinante da competitividade empresarial. Por outro lado, são deficiências comuns dessa geração Y, além da escassa capacidade de gestão e da administração, as dificuldades para se expressar adequadamente, sobretudo por escrito, em decorrência da falta a de hábito de leitura.

Ao mesmo tempo, destacou Lúcia, esses jovens com pouca reverência às hierarquias, que querem tomar conhecimento de tudo, mas que são inquietos e tendem a mudar de trabalho com freqüência representam um grande desafio, por exemplo, para as políticas empresariais de sigilo para com determinadas informações. Sem contar que no Brasil 80% das empresas investe na formação de seus profissionais e certamente não quer ver esse investimento bater asas. 

Por isso, segundo Lúcia, para aproveitar os talentos dessa nova geração, as empresas precisam adequar seus modelos de recrutamento, capacitação e gerenciamento de recursos humanos. 

"A própria Microsoft percebeu a dificuldade de reter seus novos colaboradores e contornou o problema redesenhando seu plano de carreiras para ampliar as oportunidades oferecidas aos jovens profissionais", disse Lúcia. 

A conclusão foi corroborada por algumas colocações feitas no debate que se seguiu à palestra, quando o representante da área de recursos humanos de uma grande empresa confidenciou que a companhia percebeu a necessidade de reciclar seus gestores pelos depoimentos colhidos entre estagiários e trainees que deixavam a empresa. 

"Eles com freqüência se queixam das dificuldades que os gestores têm de aceitar idéias novas. A visão paternalista que impera nas gerações mais velhas gera desinteresse nos estagiários e trainees. Percebemos que se não melhorarmos isso, teremos problema de sucessão nas áreas intermediárias", analisou a profissional que prefere não ser identificada. Ela sugeriu que o IEL proponha um programa de palestras e workshops de sensibilização sobre o tema para os gestores. 

A palestra de Ana Lúcia e o debate que a seguiu abordaram ainda temas relacionados à nova Lei de Estágio. As empresas e instituições de ensino presentes fizeram consultas para esclarecer dúvidas sobre a nova legislação, aproveitando a intensa participação que o IEL e Maria Lúcia tiveram nos debates que envolveram a elaboração da nova Lei e a cartilha que o Ministério do Trabalho publicou para esclarecê-la. Entre os presentes estavam representantes da área de RH de um grande escritório de advocacia que mantém grande número de estagiários e uma das maiores indústrias da área de papel e celulose, além de diversas instituições de ensino superior.

Essa notícia foi publicada na RH Central, em 27/10/2009

Comentários