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Gestão de conflitos no ambiente de trabalho

Data 20/01/2014

LG: Como consultor há mais de duas décadas, cite quais são os principais motivadores de conflitos no ambiente de trabalho?

Eduardo Ferraz: Quando comecei a trabalhar em uma multinacional, há quase 30 anos, havia sete níveis hierárquicos do presidente ao chão de fábrica. Outras empresas maiores chegavam a ter mais de dez escalões. Atualmente, a maioria das empresas tem três níveis e isso, por incrível que pareça aumentou, e muito, a quantidade e a intensidade dos conflitos.

Em uma hierarquia rígida e vertical, o chefe manda e o subordinado obedece sem questionar, ou seja, não há negociação e sim cumprimento de ordens. Hoje em dia, em uma estrutura horizontal, com poucos chefes,  muita necessidade de trabalho em equipe e competição entre departamentos, as pessoas são obrigadas a negociar das coisas mais complexas – como uma mudança na estratégia,  às mais simples – como uma troca de mesa.

Nas ditaduras há poucos conflitos porque se debate pouco e quem discorda é preso, exilado ou morto. Nas democracias, todos têm direito de opinar, o que aumenta, paradoxalmente, a chance de conflitos e rupturas. A maior fonte de conflitos, na prática, é que quase todo mundo pode questionar.

LG: Que tipo de postura um gestor, independentemente de qual seja sua área de atuação, precisa adotar para resolver uma situação de conflito sem prejudicar nenhuma das partes envolvidas?

Eduardo Ferraz: O papel do líder é fundamental para administrar conflitos no trabalho. Ele precisa mostrar autoridade ao não tolerar, identificar a origem do conflito e ser justo ao tomar uma decisão. A pior atitude é a omissão.

LG: De que forma os conflitos mal resolvidos dentro de uma equipe podem impactar na imagem e carreira do líder?

Eduardo Ferraz:
Nesses casos, pode haver sabotagem, insatisfação e, principalmente, a percepção que o líder é indeciso e medroso. E isso pode prejudicar muito a imagem de qualquer gestor.

LG: Você costuma dizer que as pessoas são contratadas por seu currículo, mas demitidas por suas atitudes. Essa sua perspectiva demonstra de certa forma que gestores e colaboradores, muitas vezes, não sabem lidar com os conflitos de trabalho? Se sim, cite quais são as atitudes que mais levam à demissão no ambiente corporativo.

Eduardo Ferraz: Não saber gerenciar conflitos é uma das atitudes graves que podem levar a demissão. Outras atitudes ruins são o mau relacionamento com o grupo, falta de dinamismo e individualismo exagerado.

LG: Muitos conflitos em uma equipe podem significar que o gestor não está sabendo contratar as pessoas certas, mas podem indicar também que o problema está no próprio gestor. Que dicas você dá para que um líder consiga identificar qual desses dois aspectos se aplica a situação vivida por ele?

Eduardo Ferraz: O que acontece na maioria das empresas é que o gestor, até por falta de tempo (que é um grave erro), dificilmente participa da seleção e escolha de seus subordinados. Os líderes deveriam gastar no mínimo 30% de seu tempo contratando, treinando e avaliando pessoas.

Pode parecer muito tempo dedicado a essa atividade, mas além de facilitar a decisão na hora de promover, transferir ou demitir alguém, este tempo aumentará enormemente sua capacidade de aproveitar as pessoas no que elas têm de melhor, posicionando-as nos lugares certos, aumentando consideravelmente sua produtividade e motivação para o trabalho.

LG: É possível reverter resultados ruins, como turnover e pouca produtividade, apenas eliminando os conflitos de trabalho?

Eduardo Ferraz: Sim, mas não só isso! Você só melhora consistentemente todos os indicadores quando coloca as pessoas certas nos lugares certos
 

 

Gestão de conflitos no ambiente de trabalhoEduardo Ferraz é consultor em Gestão de Pessoas há 25 anos e especialista em treinamentos usando como base a Neurociência comportamental. Acumula mais de 30.000 horas de experiência prática em empresas de vários segmentos. É pós-graduado em Direção de Empresas e autor dos livros “Por que a gente é do jeito que a gente é?”, “Vencer é ser você” e “Seja a pessoa certa no lugar certo”, pela Editora Gente.

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