Gestão de pessoas: é preciso reinventar-se

Data 06/10/2015

Em entrevista à Huma, o Superintendente de RH do Banco Santander, Manoel Jardim, conta como se adaptou às várias mudanças de tecnologia e migrou da área de TI para a de gestão de pessoas. 

 Manoel Jardim, conta como se adaptou às várias mudanças de tecnologia e migrou da área de TI para a de gestão de pessoas.

Huma: Fale um pouco sobre sua carreira e como chegou à área de gestão de pessoas.

Manoel Jardim: O início dos anos 80 foi marcado pelo processo conhecido como “downsizing”, responsável pela gradual substituição dos computadores de grande porte pelos microcomputadores. Trabalhei intensamente na disseminação dessa tecnologia na organização em que atuava. Começamos substituindo as máquinas de escrever por editores de texto e logo depois vieram as planilhas eletrônicas. Por último, os software de apresentação. Foi um grande desafio, pois encontrávamos resistência em várias áreas. 

A turma de finanças percebeu primeiro o enorme salto que os computadores trariam para o trabalho. O uso de planilhas eletrônicas abriu caminho para os microcomputadores. E a disseminação da informática levou-me ao RH, pois o processo de informatização nos departamentos era conduzido pela área de desenvolvimento de pessoas. O fato de estar sempre ligado à inovação resultou no convite para coordenar a primeira implantação de Enterprise Resource Planning (ERP) em uma empresa estatal brasileira. Era um novo mundo para mim. A estatal foi privatizada, fui parar na holding que havia comprado a empresa e lá estava eu redesenhando processos de RH, selecionando produtos e implantando soluções integradas de gestão. Isso me aproximou mais do RH e me induziu a cursar um MBA em Gestão de Pessoas. 

Posteriormente, fui convidado a trabalhar no Santander. No banco, fizemos a reimplementação das soluções de recursos humanos. Depois da consolidação do ambiente de sistemas de RH, recebi o convite para cuidar das áreas de Benefícios, Serviço Social, Saúde e Segurança. Foi uma experiência maravilhosa. Após muitos anos envolvido com tecnologia para RH, passei a cuidar exclusivamente de gente. Passado algum tempo, o Santander adquiriu o Banco Real. O primeiro desafio era o de unificar os processos e sistemas de RH. Minha experiência levou-me ao coração desse projeto. Concluída essa etapa, trabalhei com infraestrutura, assegurando que processos e sistemas de RH estivessem a serviço da estratégia de gestão das pessoas.

Huma: Quais os principais desafios enfrentados durante sua carreira?

Manoel Jardim:  O maior deles tem sido me manter atualizado. Com a velocidade da tecnologia, esse desafio só tem aumentado. Ao longo da minha vida profissional, precisei me reinventar várias vezes. Desapegar de coisas que funcionavam para enfrentar o novo e o risco do desconhecido.

Huma: Qual é o maior prazer em trabalhar com pessoas?

Manoel Jardim: O maior prazer é a interação. Poder influenciar e ser influenciado. Trocar. Uma hora ser aluno e, na outra, ser mestre. O maior sentido da vida é o crescimento e o aprendizado. Isso só é possível se houver troca. Lidar com pessoas oferece essa oportunidade. 

Huma: Para você, quais são as tendências em gestão de pessoas para os próximos anos?

Manoel Jardim: O Brasil passa por um momento muito especial. Uns veem crise, mas eu vejo uma enorme oportunidade. A discussão da terceirização, a implantação do eSocial, o avassalador uso das mídias sociais, por exemplo, nos levará a rever alguns pontos. Cada vez mais, precisaremos encontrar uma causa, uma forma de mobilizar as pessoas em torno de um objetivo. Continuaremos a atrair, reter e motivar, mas em um cenário em permanente transformação, com expectativas, exigências e questionamentos, fruto de uma nova ordem e de novas formas de relacionamento.

Huma: Por que é importante que as empresas invistam em seus líderes?

Manoel Jardim: Líderes inspiram, são exemplos, conduzem ou, mais modernamente, são seguidos. Tudo isso só acontece se as atitudes e o agir forem coerentes com a mensagem. Desenvolver a liderança, dar ferramentas e instrumentos que reforcem a prática dos valores é fundamental. As organizações precisam do melhor de cada um de nós, por meio de uma liderança inspiradora, afinada aos seus valores.

Huma: Como a gestão de pessoas pode ajudar de fato que a empresa alcance os resultados e objetivos de negócio? 

Manoel Jardim: A reclamação que mais ouvi em toda a minha carreira é a de que, muitas vezes, os profissionais que cresciam rapidamente o faziam com métodos e práticas que os demais funcionários não entendiam ou, pior, desalinhados com valores e objetivos morais. Quanto mais a gestão de pessoas apoiar a prática da meritocracia, o reforço dos valores e o alinhamento dos objetivos pessoais e organizacionais, mais cumprirá o seu papel.

Veja mais:

Gestão de Pessoas para alcançar resultados

LG lugar de gente patrocina debates sobre Gestão de Pessoas

Compartilhe:

Comentários