Gestão de qualidade de vida ganha espaço nas empresas

Data 09/10/2012

O velho ditado “prevenir é melhor do que remediar” está ganhando mais força em algumas empresas. A percepção de que colaborador saudável produz mais e melhor, e ainda reduz custos, tem levado muitas companhias a investir em profissionais especializados na gestão de qualidade de vida, uma espécie de upgrade na função dos gestores de Recursos Humanos uma vez que os salários são maiores. A tarefa desse profissional é implantar nas empresas programas de qualidade de vida e bem estar, como por exemplo, montar equipes de médicos, enfermeiros e nutricionistas para atender aos funcionários.

Segundo a professora Ana Cristina Limongi-França, coordenadora do Programa de Estudos em Gestão de Pessoas da Fundação Instituto de Administração (FIA), trata-se de um mercado em franca expansão. Ela estima que somente 10% da demanda seja atendida atualmente. “As empresas estão aperfeiçoando e ampliando as questões ligadas à saúde e demonstram uma preocupação maior com a qualidade de vida dos profissionais, mas ainda há poucos gestores de Recursos Humanos que entendam bem do assunto e conseguem criar processos bem sucedidos”, diz a professora da FIA.

Na Philips, o desenvolvimento de programas de saúde começou em 1984, quando foi lançado um plano médico de autogestão com administração própria. “A partir de 1988, entendemos que atuar somente na medicina assistencial não era suficiente e começamos a trabalhar com ações de prevenção de doenças e promoção à saúde para estimular as pessoas a buscarem hábitos mais saudáveis”, diz Renato Barreiros, diretor de Saúde e Bem
Estar da companhia. A criação do departamento chefiado por Barreiros veio na sequência. Ele conta que um dos programas de maior sucesso na Philips é o “Vida Assistida”, em que uma equipe especializada da própria empresa mapeia e identifica as condições de saúde de colaboradores que podem desenvolver doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e doenças respiratórias. Além disso, a Philips organiza campanhas de combate ao câncer e ao tabagismo, feitas em datas próximas ao calendário oficial da Organização Mundial da Saúde.

Para Barreiros, ações dessa natureza são benéficas para ambos os lados. “Para os profissionais, é uma ótima oportunidade de ganho em qualidade de vida. Equilibrando o lado pessoal e profissional, eles se tornam pessoas mais saudáveis e felizes”. A companhia também ganha, uma vez que o fator de atração e retenção de talentos aumenta, sem contar com a redução dos custos com planos de saúde.

Para o executivo, há cada vez mais empresas dispostas a oferecer programas de qualidade de vida no trabalho, que está intimamente ligado à gestão de pessoas. No entanto, destaca, a companhia precisa compreender que esse tipo de trabalho deve fazer parte do planejamento estratégico e da cultura organizacional. “A partir daí, fica mais fácil buscar pessoas capacitadas e especializadas para conduzir essa gestão”.

Essa opinião também é compartilhada por Sâmia Simurro, vice-presidente de projetos da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV). Segundo Sâmia, alguns profissionais de Recursos Humanos não têm expertise em programas de qualidade de vida no trabalho. “E o mesmo acontece com alguns profissionais de saúde, como educadores físicos, que não possuem o conhecimento em gestão de pessoas”, diz. Para ela, alguns cursos livres, ou até MBA específico na área, podem suprir essa necessidade.

Barreiros, da Philips, informa que sua trajetória profissional foi pautada pela prática e não pela formação acadêmica – ele é formado em Direito. Para complementar, o executivo buscou conhecimento técnico em cursos de gestão de qualidade de vida e de pessoas. “Mas a troca de experiências e o aprendizado diário sobre o tema não podem ser descartados e contribuem muito para os resultados”, diz.

 

*Essa notícia foi publicada no site Canal RH, em 2/10/2012