Habilidades da profissão anterior podem ser aproveitadas

Data 15/01/2013

Boa parte das pessoas muda radicalmente de carreira porque se cansou do mundo corporativo. Leila Martins, no entanto, seguiu o caminho contrário. Formada em medicina veterinária, ela chegou a exercer a profissão e se pós-graduar na área até perceber que, ainda que o amor pelos animais a tenha atraído para a carreira, não havia nascido para aquilo.

Com vontade de atuar em gestão, ela começou a nova vida como assistente de vendas em uma loja perto da sua casa. Hoje, vinte anos depois, Leila é diretora de captação de dados da consultoria Serasa Experian e faz questão de dizer que ainda tem seis cachorros de estimação.

"Quando escolhemos a primeira profissão, não temos maturidade suficiente para saber o que isso significa", diz ela, que decidiu pela veterinária quando terminou o ensino médio aos 16 anos. Continuou realizando o que, na época, considerava seu sonho, até que começaram a surgir as primeiras decepções – que passaram pela necessidade de lidar também com os donos dos animais e muitos outros "humanos". Além disso, o mundo acadêmico, pelo qual se interessava, acabou se mostrando bastante diferente do que imaginava.

Para ela, escolher a nova profissão não foi o maior desafio, mas sim, fazer a mudança. A falta de apoio da família e dos amigos na época, além da pouca receptividade de potenciais empregadores, foram algumas das principais dificuldades. "Foram oito anos investidos naquela carreira. Apesar de hoje eu ser bem-sucedida, minha mãe ainda me cobra o fato de eu ter trocado de carreira", diz.

Para Leila, a sensibilidade que adquiriu no contato com animais, com os quais precisa "ler por trás das palavras e perceber sinais", hoje a ajuda a lidar com pessoas e gerir equipes. A capacidade de ser flexível e se adaptar rapidamente também são diferenciais que os outros profissionais percebem. "Você consegue enxergar fora da caixa, sair daquele padrão seguido pela maioria", afirma.

Leila fez uma pós-graduação em gestão de risco e diversos cursos de curta duração que complementaram sua formação e, há seis anos, foi contratada pela Serasa. Sobre os seus cachorros – são cinco no sítio que possui e um em casa, a shitsu Nina – ela diz que finalmente considera que eles a dão prazer "do jeito certo". E quando leva algum deles ao veterinário, faz questão de dar a própria opinião.

 

*Essa notícia foi publicada no site Valor Econômico, em 10/1/2013