Home office: flexibilidade no trabalho

Data 13/04/2011

LG: Como está a aceitação do home office pelas empresas?

Jack: Mundialmente, o home office é uma tendência muito forte. Empresas como a IBM já trabalham com mais da metade de seus colaboradores nos EUA de maneira remota. No Brasil também é uma tendência em expansão, mas, infelizmente, as empresas encontram empecilho na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que engessa as opções na adoção mais efetiva dessa prática.

LG: Existe alguma área que tenha maior aderência dessa modalidade de trabalho?

Jack: O exemplo da IBM é um bom caso. Empresas de TI e serviços, normalmente, têm mais facilidade na adoção. A natureza do trabalho favorece, uma vez que o profissional já passa praticamente 100% do seu tempo conectado e muitas vezes trabalhando com pessoas de outras localidades. Além disso, profissionais de alto valor agregado normalmente dispõem de mais maturidade profissional, o que é pré-requisito para o trabalho remoto.

LG: Quais as vantagens do home office, tanto para o colaborador, como para a empresa?

Jack: Para o colaborador, a principal vantagem é o ganho de qualidade de vida, que economiza um tempo precioso evitando o estresse do trânsito e o deslocamento nas grandes cidades. A empresa ganha de duas maneiras: a primeira (e mais importante) é o acesso a talentos fora da sua localização geográfica, podendo contar com profissionais de outros estados ou mesmo de outros países. A segunda é o efeito colateral da adoção dessa prática, ou seja, a redução dos custos fixos com a instalação desse funcionário.

LG: E as desvantagens?

Jack: É importante criar uma separação entre trabalho e vida pessoal. Profissionais em home office acabam, geralmente, trabalhando mais do que o expediente planejado. Uma dica importante é a criação de uma rotina de trabalho, seguindo a prática de quem vai efetivamente para o escritório. Outro detalhe é a criação de um espaço separado na casa para o home office, o que facilita na criação dessa rotina. Outro problema é garantir que o funcionário remoto sinta-se parte da equipe a qual pertence. A empresa tem que criar oportunidades, para que os trabalhadores remotos tenham contato presencial com o resto da organização.

LG: O que o profissional de RH deve avaliar antes de optar ou não pelo home office?

Jack: O RH deve ter uma política clara para o trabalho remoto, detalhando o processo e as funções que são elegíveis dentro da empresa. Tipicamente, isso surge como uma demanda dos funcionários, que começa a ser executada de maneira informal, até que seja formalizada pela equipe de RH. Como eu disse anteriormente, a natureza do trabalho executado e a senioridade do profissional são fatores decisivos para a opção de um trabalhador remoto. Além disso, é importante que o processo preveja uma fase de avaliação, na qual os resultados do profissional remoto serão avaliados, antes que essa opção torne-se definitiva.

LG: Como o gestor de RH deve gerenciar seus colaboradores que trabalham em home office?

Jack: O gerente deve fazer uso dos canais de comunicação disponíveis na empresa: e-mail, IM, telefone, videoconferência etc., para garantir que o profissional remoto sinta-se parte da equipe. Nesse caso, quanto mais comunicação melhor. Encontros presenciais regulares também são importantes, mesmo que aconteçam uma vez por ano.

Jack DelaVega é Mestre em Ciências da Computação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Possui carreira acadêmica como professor em cursos de extensão, graduação e pós-graduação. É coach executivo e palestrante, compartilhando a sua experiência de liderança e práticas organizacionais com indivíduos e empresas em todo o País.