Hora de brincar, estudar e trabalhar…

Data 24/11/2009

 

Quando criança sempre ouvia os mais velhos dizerem: “Hora de brincar é de brincar, hora de trabalhar é de trabalhar, hora de estudar é de estudar…”. Essa orientação sempre serviu para as crianças entenderem que cada coisa tinha seu momento certo. Ninguém podia, mesmo que insistisse, ficar brincando na rua na hora de fazer as tarefas de escola ou limpar o jardim. Era comum ouvir os pais chamando os filhos que se divertiam com os amigos no playground para os ajudarem em algumas tarefas domésticas.

E assim, com essas constantes recomendações, a gente foi crescendo. Aprendemos a ser responsáveis, disciplinados e administradores do tempo.

Talvez por isso, existem diversas pessoas, gestoras ou não, que praticam a filosofia de “hora de brincar, trabalhar, estudar…” até hoje. Para muitos o lugar de trabalhar é a empresa, o lugar de estudar é a escola e o lugar de brincar é em qualquer local, desde que diferente dos dois anteriores.

Sabemos que as empresas de hoje já não são assim. As melhores empresas na gestão de pessoas e na gestão da inovação já entenderam, há um bom tempo, que o lugar de trabalhar também é o espaço ideal para aprender e se divertir. Universidades Corporativas e arrojados projetos de desenvolvimento de pessoas são comuns em empresas que perceberam que aprendizagem e trabalho andam juntos. O mesmo acontece com todos os projetos de lazer e qualidade de vida conduzidos pelas organizações que investem na melhoria de performance das pessoas.

Porém, divertir-se na empresa vai além das salas de descompressão e ginástica laboral. É estimular o bom humor, os relacionamentos pessoais e a informalidade, o que, consequentemente, significa investir na criatividade, inovação e sinergia.

Tem gente que, após participar de uma semana de cursos, comenta: “Nessa semana produzi nada!”. Será que aprender também não seria uma forma de trabalhar? Desenvolver-se não é produzir? Talvez por pensar assim muitos associam treinamento com atividades maçantes e carregadas. Mas curso precisa ser chato? Não é à toa que muitas atividades usam dinâmicas e jogos como ferramentas para a aprendizagem. É a união da educação com a diversão. A própria palavra palestra significa, em italiano, a palavra divertir.

Organizações que aprendem e ensinam, cursos que divertem, diversão produtiva. Todos esses aspectos são cartas de um mesmo jogo. Não concorrem, mas cooperam entre si.

Porém, vivemos ainda em sistemas que nos mostram que é impossível ter prazer e sacrifício ao mesmo tempo. Esse pode ser o motivo de muitas pessoas terem melancolia ao pôr do sol de Domingo. É um dos indicadores que o momento de lazer acabou e precisamos voltar ao trabalho.

Devemos ser como os artistas. A maioria deles não tem hobby. Se divertem trabalhando e se desenvolvem enquanto trabalham. Para isso, empresas devem ser verdadeiros ateliês de capacidade inovadora, quebra de paradigmas e visão multifocal. O estado da arte em gestão de pessoas.

O importante é fazer o que se gosta e principalmente gostar do que se faz. Somente assim teremos a postura de aprender sempre e gerar ambientes divertidos, porém responsáveis.

Administrador de empresas, pós-graduado em Produtividade e Qualidade Total, MBA em Gestão Empresarial, Marcelo de Elias é escritor, conferencista em Vendas, Motivação e Liderança. Consultor especializado em gestão estratégica e gestão de pessoas, também atua como professor e coach executivo.