IBGE ainda vê timidez no mercado de trabalho

Data 22/12/2009

 

Os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada hoje (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam “timidez” no mercado de trabalho nas seis principais regiões metropolitanas do país, o que ainda pode ser reflexo da crise internacional. A avaliação é do gerente da pesquisa, Cimar Azeredo.

De acordo com ele, apesar de terem sido atingidos alguns recordes no mês, havia a expectativa de uma redução mais forte na taxa de desemprego, que fechou novembro em 7,4%, depois de ter registrado 7,5% em outubro e 7,6% no mesmo período do ano passado. O patamar, que foi o mais baixo para um mês de novembro desde o início da série da pesquisa, foi também o menor do ano.

“O resultado demonstra que, apesar de ter atingido marcas recordes, o mercado de trabalho ainda está tímido. No mês de novembro, embora tenham sido registrados pequenos crescimentos, não houve um avanço expressivo a ponto de reduzir a desocupação. Poderia se ter uma expectativa de que a taxa fosse cair mais, principalmente porque em novembro já começamos a visualizar contratações temporárias, como no comércio, que teve pequena expansão, mas nada significativo”, ressaltou.

Ainda assim, Azeredo destacou que a demanda por emprego foi em parte suprida pelo mercado, já que, “apesar da estabilidade, houve redução de 40 mil pessoas entre os desocupados e acréscimo de 98 mil entre os ocupados”.

Foi o caso do carioca Hugo Maestrini, que, depois de passar alguns meses desempregado, conseguiu uma vaga para trabalhar como vendedor em uma loja de roupas em São Gonçalo, região metropolitana do Rio.

“Aproveitei as contratações de fim de ano e já vou poder comemorar o Natal com menos preocupação. A melhor notícia é que a vaga era temporária, mas já me garantiram que vou continuar no ano que vem”, contou.

Cimar Azeredo enfatizou, ainda, que o rendimento dos trabalhadores atingiu o maior patamar para um mês de novembro desde 2002, alcançando R$1.353,60. Na comparação com outubro, o valor ficou praticamente estável, mas em relação a novembro de 2008, houve acréscimo de 2,2%.

“Isso demonstra que as políticas voltadas para a população com rendimentos mais baixos, focando o aumento do salário mínimo, fizeram efeito elevando o poder de compra da população. Esse é um resultado bastante positivo”, avaliou.

Essa notícia foi publicada na Agência Brasil, em 18/12/09.