Jovens imediatistas assustam gestores na hora da contratação

Data 01/03/2010

 

Um jovem que estudou nas melhores escolas, aprendeu idiomas, teve experiências no exterior, é inteligente, criativo e conectado e tem disposição para trabalhar duro e inovar ostenta um currículo que parece ser o sonho dos selecionadores das empresas.

Não necessariamente. Esse mesmo perfil pode virar um pesadelo para os gestores que logo identificam a geração Y –leva dos nascidos entre 1980 e 1990, que reúne características como agilidade, autodidatismo tecnológico e criatividade.

Isso porque esses "nativos digitais" demandam muito de seus superiores, não temem atropelar processos e, principalmente, não pensam duas vezes antes de trocar a empresa que investiu em seu treinamento por uma que pague melhor ou outra que ainda não existe: a que vão criar.

Assim, os gestores tendem a ficar alertas para o perfil Y excessivo: aquele que, apesar de reunir o currículo ideal, não tem paciência para os ritos da cultura corporativa, como esperar por uma promoção.

Para Fernando Mantovani, da consultoria Robert Half, o principal problema é a alta rotatividade. "Uma empresa investe muito no profissional. Se após dois anos ele sai, não valeu a pena", avalia, sobre o desgaste financeiro e organizacional.

O consultor argumenta ainda que essa rotatividade é estimulada pela ambição por grandes projetos, com desprezo pelos menores e, especialmente, pelas tarefas operacionais. "Não dá para sair da faculdade e construir uma hidrelétrica. É preciso primeiro fazer uma estrada, depois uma ponte pequena e, em seguida, uma ponte grande", exemplifica.

Falta maturidade

Além de estarem atentos para filtrar o Y excessivo, alguns gestores chegam até a optar pela geração anterior, chamada de X. Apesar de menos inovadora, tem mais facilidade de lidar com processos e repetições.

"Prefiro um X a um Y", diz Sandra Regina Frias, diretora de recursos humanos da Chris Cintos de Segurança. "Trabalhamos com a vida das pessoas. Não dá para ter alguém imediatista e sem compromisso com o produto", declara.

"A imaturidade acaba trazendo algumas consequências. Eles não têm muita noção do risco do que estão fazendo. Por isso o treinamento é essencial. Apesar disso, vejo o tempo inteiro o baixo desempenho dos que têm 40 anos", afirma Márcia Almstrom, consultora de recursos humanos. "Isso não acontece com o jovem, porque ele gosta do que faz."

Essa notícia foi publicada na Folha Online, em 28/02/10