Junto com os Y, Geração Z já começa a desafiar gestores

Data 22/09/2010

 

Conciliar ambiente conservador com os novos talentos é o principal desafio relatado por empresas; para Henrique Pistilli, do EcoSocial.

O Instituto EcoSocial, grupo de consultores especializado em Coaching, Desenvolvimento Organizacional e Sustentabilidade, apurou, junto a líderes de RH de dois grandes bancos, uma holding nacional e um laboratório de grande porte, quais os principais desafios trazidos pelas novas gerações de talentos às companhias.

“As principais características desses jovens, das gerações Y e agora Z, estão ligadas à qualidade de vida, ao significado e impacto do seu trabalho no mercado, a ganhos financeiros de curto prazo, incluindo desprendimento em relação à hierarquia e à rapidez com que tomam ou querem decisões”, explica Henrique Pistilli, consultor do EcoSocial.

“Isso reflete o mundo globalizado virtual no qual foram criados. Para eles, não deve haver barreiras entre um trainee e um presidente, seja em termos de formalidade ou de acesso, e isso pode ter consequências desastrosas caso não haja equilíbrio de interesses e acordos saudáveis para se aproveitar o melhor de cada geração”, acrescenta.

No trabalho que realizou com as empresas participantes, o EcoSocial levantou as principais questões relatadas por elas. Conciliar o ambiente conservador com as novas gerações foi o problema mais mencionado. Os gestores de RH também falaram sobre dificuldades em imposição de limites, expectativas e frustrações, responsabilidade dos jovens sobre suas carreiras e como fazer um gestor desafiar os novos talentos sem receio.

Para Pistilli, a resposta para esses anseios passa por desenvolver um processo estruturado de diálogo onde cada líder possa reconhecer e assumir o impulso da sua geração, oferecendo o melhor de si e aprendendo com as outras gerações, de forma que todos possam se tornar pessoas e profissionais atualizados com as demandas emergentes.

“Aqueles que não estiverem abertos para ouvir, olhar para si próprio e aprender podem ficar presos no passado, vendo o mundo evoluir na frente dos seus olhos sem conseguir acompanhar a dança das mudanças”, diz o consultor. “Por outro lado, os jovens que se sentirem mais importantes do que as outras gerações podem se afastar do seu papel no mercado, tornando-se perdidos e desconectados do fio da sua própria vida”, acrescenta.

O histórico das gerações

A Geração B – de babyboomers (nascidos entre 1951 e1964) – carrega a força da estruturação dos recursos, construindo um primeiro degrau de segurança e patrimônio na sociedade moderna, dando nascimento à consciência do "emprego", com importante atuação da hierarquia. A Geração X (nascidos entre 1965 e1983) carrega a força da melhoria de processos, valorizando a competência do profissional, independente do gênero masculino ou feminino, emergindo uma consciência de "funcionário", com suas metas e resultados técnico-gerenciais.

A Geração Y (nascidos entre 1984 e 1993) traz a qualidade das relações saudáveis, buscando equilibrar os impulsos das gerações anteriores com liderança, equipe, ambiente de trabalho, família, estudo, lazer e as diversas esferas da vida, ampliando a percepção do profissional para uma consciência de "colaborador".

Já Geração Z (meados de 1990), como são chamados os jovens que começam a desembarcar atualmente no mercado, está apontando a tendência do impulso da sustentabilidade ampliada e do significado do trabalho, propondo uma consciência profissional de "parceiro de competência e propósito", buscando integrar os impulsos anteriores com um olhar mais amplo para o mercado, a sociedade e o mundo como um todo. Eles tem representado um desafio para as empresas, principalmente no que se refere à gestão, motivação e retenção desses novos talentos.

Essa notícia foi publicada no RH Central, em 20/09/10.