Liderança feminina: não só questão de gênero

Data 01/09/2010

 

A importância das mulheres vai além da mera questão da diferença de gênero. Muitos estudos mostram que as sociedades onde as mulheres têm maior participação econômica e política tendem a ser mais estáveis.

Embora os homens e as mulheres constituem o mundo em partes praticamente iguais, as mulheres lideram menos de um terço das empresas privadas; no entanto, de acordo com um estudo do Banco Mundial, essas empresas apresentam uma taxa de crescimento maior do que aquelas chefiadas por homens.

Outro estudo, realizado pelas Universidades de Maryland e Columbia, com as 1500 maiores empresas dos EUA para determinar a relação entre qualidade e níveis de gestão empresarial das mulheres, apresentou que, quando elas têm um papel maior na alta administração, as empresas alcançam um melhor desempenho. Porquê? A liderança diferenciada, baseada na comunicação oportuna e trabalho em equipe.

Além disso, un estudo realizado em mais de 100 países pelo Banco Mundial (BM) e pela Universidade de Columbia, sobre a relação entre a composição de gênero no Congresso e os níveis percebidos de corrupção, mostrou que um percentual maior de mulheres parlamentares, menor o índice de percepção de corrupção.

Enquanto em alguns países tem havido um progresso significativo para reduzir o hiato de gênero, o papel que as mulheres podem e devem ter no mundo é desperdiçado. Considere-se um fato que mostra uma vantagem do sexo feminino sobre os homens: um inquérito da WB sobre o comportamento de compra dos homens e mulheres, indica que eles gastam uma porcentagem maior de sua renda em consumo pessoal, como álcool e fumo, enquanto elas investem mais no bem-estar de suas famílias.

De acordo com um estudo realizado pelo Babson College nos países de baixa renda, a probabilidade de que uma mulher com trabalho empreenda seu próprio negócio, é três vezes maior do que aquela desempregada. Emprego é a plataforma fundamental para que as mulheres constituam uma empresa, ajudando a melhorar suas habilidades de empreendedorismo e expandir as suas redes sociais. Segundo o estudo, as mulheres são beneficiadas pelas redes de acesso à informação, financiamento, apoio profissional e oportunidades de mercado. Esses programas de empreendimento precisam ser complementados por outros mais avançados, promovendo os próximos passos e permitindo-lhes expandir os seus negócios.

A redução das disparidades de gênero e uma maior equidade exigem foco nas questões educacionais, níveis de salário, progressão na carreira e uma maior participação política e econômica das mulheres. A desigualdade não é boa para o desenvolvimento de um país. Em termos de salários, por exemplo, a diferença varia entre 3% e 51%, com uma média de 17% e, até mesmo nos mercados desenvolvidos, a diferença é significativa: na Europa, as mulheres ganham 15% menos que os homens, e nos Estados Unidos 22%.

Klaus Schwab, fundador e presidente do Fórum Econômico Mundial, disse que para superar a maior recessão mundial sofrida no último século, é necessário reunir todo o talento possível no aporte de idéias e inovação, sendo muito importante que os países e as empresas tenham uma atenção especial a um dos mais valiosos recursos que têm disponíveis para o desenvolvimento: as habilidades e talentos das mulheres. Eleitores, empregadores, trabalhadores ou consumidores, as mulheres serão a chave para a recuperação econômica.

Há outros igualmente importantes desafios: mudança climática, a segurança global, a exclusão, a educação, a saúde. Fazer-lhes frente requer enorme poder de contribuição das mulheres. Os líderes mais influentes: governantes, políticos, empresários, profissionais, acadêmicos, mídia e a sociedade civil têm a responsabilidade de colocar em suas agendas a eqüidade de gênero, a fim de produzir um espaço suficiente para explorar o enorme talento feminino.

A importância das mulheres vai além da mera questão da diferença de gênero. Muitos estudos mostram que as sociedades onde as mulheres têm maior participação econômica e política tendem a ser mais estáveis e, embora a resposta não se saiba com certeza, é válido perguntar se a crise financeira global não teria sido diferente com uma maior presença de mulheres em posições de gerência sênior em todo o mundo.

Essa notícia foi publicada no Administradores, em 31/08/10.