Longe de casa, mas sem transtornos

Data 17/04/2012

Muitas empresas possuem políticas claras para um expatriado. Outras tantas definem regras para funcionários que precisam fazer muitas viagens curtas para reuniões diversas. Mas o que fazer para aqueles que emendam intervalos de dois ou três meses viajando de acordo com os projetos nos quais estão envolvidos?

O primeiro ponto a ser levado em consideração é se a viagem é realmente necessária. Viajar a trabalho pode ser bastante cansativo e, por isso, é tão importante que cada viagem realizada tenha sido pensada e programada com antecedência. “Decidimos por deslocar ou não um membro de nossa equipe seguindo critérios como a sinergia que a presença dele agregará ao projeto, ganho de velocidade e qualidade, e melhoria da interação com outros membros do time, além de qualquer necessidade específica informada pelo cliente”, afirma Danilo Santos, gerente de Recursos Humanos da Progen, empresa de engenharia.

Para André Bocater, responsável por recrutamento e seleção de executivos da empresa Brain Inteligência em Talentos, “na maioria das vezes, o olho no olho e o sentimento por detrás de uma reunião são insubstituíveis e a viagem se faz necessária”. Nestes casos, cabe à empresa oferecer condições que minimizem eventuais transtornos pela distância de casa. Além da boa hospedagem, a Progen incentiva que o profissional mantenha vínculo com os familiares e com pessoas próximas em situações de longa permanência fora de casa. Para isso, concede passagem aérea bimestral para que o funcionário retorne.

“Normalmente, profissionais solteiros aguentam mais tempo o trabalho que exige viagens constantes. No entanto, mesmo para eles, no longo prazo, esse deslocamento frequente é um fator determinante para o desgaste e a desmotivação, além da diminuição do desempenho profissional”, afirma Bocater.

Outro incentivo da Progen para os profissionais viajantes é a remuneração, que ganha um adicional de transferência de 25% sobre o salário base durante o período da viagem. Quando o trabalho é no exterior, a empresa concede uma ajuda de custo para facilitar a vivência e a adaptação à cultura local. No caso de profissionais que viajam sozinhos, geralmente são disponibilizadas moradias compartilhadas com outros funcionários da companhia. Cada um possui seu dormitório e dispõe de outras áreas em uso comum. “É raro o deslocamento de funcionário e familiares em projetos que possuem data definida para término. Nesses casos, o compartilhamento de espaço é uma boa alternativa para a socialização”, diz Santos.

Sem rotina

Se por um lado as viagens podem ser desgastantes, há os profissionais que gostam desse modelo, justamente por não ter rotina, possibilitar a variação do local de trabalho, fazer novos contatos e conhecer lugares diferentes. O ideal é encontrar profissionais com esse perfil para unir o útil ao agradável. Santos acredita que na Progen não há grande rotatividade de profissionais em cargos que exijam viagens de trabalho porque, antes de enviá-los para outra localidade, é feita uma avaliação sobre o perfil e preferências. Dos 2,5 mil colaboradores da empresa, cerca de 10% – entre gestores, engenheiros e projetistas – viajam com frequência.

Utilizar a tecnologia para substituir as viagens, sem que haja comprometimento do projeto, também é uma alternativa. “Fazemos isso sempre que possível, mediante o uso de videoconferências e compartilhamento de projetos em softwares. Continuamos estudando outras formas de encurtar distâncias por meio da tecnologia e assim diminuir a necessidade de deslocamento para fora da base de trabalho”, conta Santos.


Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 11/04/12.