Maiores companhias da América Latina não possuem mulheres em conselhos administrativos

Data 23/10/2012

Das 100 maiores companhias da América Latina, 58 não possuem nenhuma mulher nos seus Conselhos Administrativos. Estes dados são da Corporate Women Directors International (CWDI), grupo de pesquisa com sede em Washington (EUA), que apresentou no dia 18 de outubro, seu relatório sobre a participação das mulheres nas diretorias das maiores empresas da região na BM&FBOVESPA.

No total, as mulheres representam apenas 5% dos membros dos Conselhos Administrativos das 100 maiores empresas na região, fato que situa a América Latina muito atrás da América do Norte (15%), Europa (14%) e da região Pacífico-Ásia, onde a participação das mulheres nesses nessas instituições é de 7.1%. "Embora globalmente a presença das mulheres nos Conselhos Administrativos ainda esteja muito aquém do desejável, as empresas latino-americanas têm um longo caminho a percorrer no que diz respeito a atribuir às mulheres papel de liderança sênior", afirma Irene Natividad, presidente da CWDI. O motivo pelo qual há poucas mulheres atuando nos Conselhos Administrativos das empresas deve-se ao fato de que existem poucas diretoras executivas (1,8%) e executivas sênior (5,1%) nos locais onde é possível encontrar pessoas para integrar os Conselhos Administrativos.

Entre os países representados pelas companhias que fizeram parte do estudo, a Colômbia tem papel pioneiro, contando com 9,9% das vagas em Conselhos Administrativos ocupadas por mulheres, bem à frente do México, com 5,7%. A média do Brasil, país onde está cerca da metade das maiores empresas que constam na lista, é de 5,4%, enquanto a média do Chile é a mais baixa da região, cerca de 3,4%. Entre as empresas que contam com mulheres diretoras, a maioria possui apenas uma representante do sexo feminino.

A empresa com melhor desempenho entre as 100 maiores da América Latina é a Walmart do México, que conta atualmente com cinco mulheres em seu Conselho Administrativo, constituído de 11 membros (45%). Nenhuma empresa se aproxima deste índice. A FEMSA, maior empresa do México e da região, também tem quatro mulheres em um Conselho Administrativo mais amplo, com uma porcentagem entre 17% e 23,5%.

"Existem medidas práticas que os países podem adotar para melhorar o índice de participação de mulheres nos conselhos", diz Irene Natividad. "Uma delas é a proposta de legislação que prevê uma cota mínima de 40% de mulheres nos Conselhos Administrativos de empresas estatais, o que representa uma esperança para o futuro."

Caso essa lei seja aprovada, o Brasil será a primeira economia da América Latina a adotar uma participação compulsória das mulheres, nos termos da lei, nos Conselhos Administrativos. Esta é uma estratégia que vem ganhando força em vários países. Desta forma, o país se juntará a outros que estabeleceram cotas para mulheres, tanto em empresas de capital aberto, como a Noruega, França, Islândia, Bélgica, Itália, os Países Baixos e a Malásia, quanto em empresas estatais, como ocorrem em Israel, África do Sul, Islândia, Finlândia, Irlanda, Dinamarca, Quênia, Áustria e Eslovênia. "Apesar de, pessoalmente, ser contra cotas, aprendi ao longo dos anos que esse é um passo necessário. Sem isso, as empresas não evoluem", afirma Regina Nunes, Presidente da Standard & Poor do Brasil.

Adicionalmente ao mandato estabelecido por lei, o relatório da CWDI recomenda a inclusão da diversidade de gênero nos códigos de governança corporativa das empresas. Esta é uma iniciativa do setor privado promovida em 16 países e que tem melhorado o acesso das mulheres às vagas nos conselhos. Tal medida pode ser adotada na América Latina para uma maior diversidade na formação desses conselhos.

Por que é importante garantir uma maior participação das mulheres nos Conselhos Administrativos? Porque assim será possível obter um crescimento econômico constante e promover a competitividade global da América Latina. O estudo cita diversos relatórios de diversas regiões do mundo, que constatam que a presença crescente das mulheres em papéis de liderança corporativa, como membros dos Conselhos Administrativos ou como executivas sênior, está relacionada com maior lucratividade e sucesso financeiro das empresas. O relatório da CWDI também indica que cases como esse devem ser analisados pelas empresas da América Latina, a fim de compreender a lógica econômica que fundamenta a participação das mulheres nos altos escalões da liderança corporativa.

*Essa notícia foi publicada no site RH.com.br, em 17/10/2012

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