Mais com menos: sua empresa está preparada?

Data 21/09/2011

* César Ayer

Cada vez mais este “modelo mental” é disseminado e reforçado no mundo corporativo, levando as empresas a buscar formas de agregar mais valor aos produtos e serviços com menos recursos disponíveis. Junte a isso, um mercado globalizado, mudanças organizacionais e tecnológicas aceleradas, aumento na complexidade de tomada de decisões e a acirrada competição, e temos um cenário onde se faz cada vez mais necessário um trabalho coletivo e sinérgico. Onde 1 + 1 não pode ser somente 2 e, sim 3 ou até mesmo 4. Neste contexto, algumas perguntas são de vital importância, por exemplo:

  • Como aproveitar ao máximo os recursos existentes?
  • Como tornar as pessoas e as organizações organismos sinérgicos?

Antes de responder a estas questões, acredito ser importante clarificar o conceito de sinergia. Sob o ponto de vista etimológico, sinergia vem do grego Syn (junto) e Ergo (trabalho), assim seu significado seria “trabalhar em conjunto”. Sinergia é a palavra que denomina a atuação conjunta de duas ou mais pessoas, famílias, grupos de trabalho, empresas ou organizações que, contribuindo entre si, alcançam um aprimoramento mútuo e resultados extraordinários.

O espírito presente em processos sinérgicos é o da confiança e, principalmente, o da colaboração. Quando pessoas e organizações se unem para formar uma parceria e produzem resultados mais significativos do que era conseguido atuando separados, diz-se que houve sinergia interpessoal e/ou organizacional. O grande desafio de processos sinérgicos é fazer com o que o trabalho em conjunto das pessoas ou das unidades de negócios crie mais valor, usando apenas os recursos já disponíveis para melhorar a qualidade dos produtos e serviços disponibilizados ao mercado. Ou seja, alcançar o “mais com menos”.

O que motiva uniões sinérgicas entre pessoas e/ou organizações são os fatores descritos abaixo:

Intenção: Desejo de investir no trabalho, dando o melhor de nós, tendo como objetivo a excelência nas ações, independente da grandiosidade ou significância do trabalho a ser realizado. Isto é possível através de pequenas contribuições constantes em prol de melhorias contínuas.

Habilidade: Capacidade de realizar as tarefas de forma eficaz e eficiente com qualidade, de forma segura, gerando satisfação pessoal e mercadológica. Quando adquirimos habilidade, executamos nosso trabalho com presteza e objetividade; resolvemos os problemas de forma rápida e descobrimos a força de nossas capacidades inatas.

Empowerment: Esta força é representada pela capacidade de influenciar fortemente nas decisões que afetam o trabalho em que o individuo está envolvido. Podemos dizer que capacitar pessoas é proporcionar-lhes o conhecimento e as habilidades para que realizem bem suas tarefas e investi-las de empowerment é dar o apoio necessário para que elas possam assumir as responsabilidades. Investir funcionários de empowement é permitir que eles deem contribuições significativas no trabalho, treiná-los para exercerem seu potencial máximo, oferecendo desafios compatíveis com cada nível de responsabilidade e gerenciá-los com sistemas organizacionais flexíveis.

Gerência Participativa: Esta força é representada pela capacidade de compartilhar o próprio poder e assim multiplicar a força. A ideia é criar estratégias de monitoramento e reforço para a manutenção do espírito de equipe e a criação de uma parceria produtiva. Em geral, isto acontece quando o líder estimula os outros a darem suas contribuições individuais, para só depois apresentar suas próprias contribuições. Por meio da gerência participativa, consegue-se manter a sinergia de uma equipe.

Para que a sinergia organizacional possa acontecer, precisamos atender aos cinco princípios básicos descritos abaixo:

1- Estabelecer pré-requisitos: construir a motivação a partir de metas comuns e interdependência, e habilidades que dependem de empowerment e gerência participativa, fundamentando assim o processo sinergético.

2- Apoiar a permeabilidade: ajudar pessoas na expressão e na abertura da aprendizagem de novas ideias, perspectivas, significados, valores, sentimentos, comportamentos e atitudes aparentemente contraditórios.

3- Encorajar o pensamento paradoxal: ajudar pessoas a conviverem com as frustrações e confusões que ocorrem quando tentam acomodar as ideias, os pontos de vista, os sentimentos ou atitudes aparentemente contraditórias.

4- Facilitar a criatividade: ensinar pessoas a valorizar a integração de visões opostas, provocando um deslocamento da relação de oposição “ou isso/ou aquilo” para a relação de suporte e complementação “tanto isso/quanto aquilo”.

5- Estruturar a disciplina: usar os conceitos novos e suportados mutuamente para realizar objetivos específicos, designar responsabilidades por tarefas e fixar um cronograma até as mudanças serem totalmente efetuadas.

Para finalizar, é importante lembrar que um processo sinérgico se consegue através de acordos mutuamente vantajosos que, por sua vez, dependem da boa comunicação. Por um lado, temos o equilíbrio de valores, a resiliência, a pró-atividade, a objetividade, a flexibilidade e o senso de prioridade como os ingredientes intraorganizacionais relativos à confiança. Por outro lado, a capacidade de negociação e comunicação eficaz são os ingredientes interorganizacionais por meio dos quais se manifesta o espírito de colaboração.

* César Ayer é formado em Administração de Empresas e Pós-Graduado em Marketing pela Universidade Paulista. Consultor em treinamento e desenvolvimento. Especialista em treinamentos comportamentais nas áreas de Gestão Intra e Interpessoal, Comunicação Pessoal, Formação de Equipes de Alta Performance, Liderança, Negociação e Técnicas de Apresentação.