Mercado aquecido para executivos no próximo ano

Data 29/12/2011

 

O mercado de contratações em 2011 deve trazer boas notícias tanto para empresas quanto para executivos. Na avaliação dos especialistas ouvidos pelo Valor, o ano será, como em 2010, de oportunidades e possibilidades de crescimento para profissionais qualificados. Por outro lado, as companhias devem sofrer menos com a inflação salarial nos níveis de média e alta gerência.

A decisão de "frear" os aumentos salariais excessivos, segundo os consultores, veio das próprias empresas, motivadas por uma escalada de custos para contratar talentos considerada insustentável no longo prazo. "Depois da crise, as companhias estão mais ponderadas e receosas em fazer grandes propostas salariais. Principalmente no segundo semestre, essa tendência de inflação salarial deve diminuir", diz Fernando Mantovani, diretor da empresa de recrutamento Robert Half.

O diretor da consultoria Hays, Gustavo Costa, confirma a perspectiva de desaceleração. O período de maiores altas na remuneração, na opinião ele, já ficou para trás. "As empresas estão oferecendo muito mais oportunidades e desafios do que propriamente salários astronômicos. Até mesmo os executivos estão valorizando outros aspectos como a cultura organizacional e o plano de carreira que são oferecidos."

A preocupação das empresas em limitar os aumentos na remuneração, porém, não deve afetar a ebulição do mercado de contratações. O ano de 2011 deve ser marcado pelos investimentos de empresas estrangeiras no Brasil e pela abertura de novas vagas, principalmente nos setores de infraestrutura e consumo. De acordo com Sérgio Averbach, presidente da Korn/Ferrypara a América Latina, o país vai continuar sendo um foco de investimento importante. "Além dos projetos de construção liderados pelo governo, que terão reflexos em toda a cadeia de infraestrutura, a aceleração da demanda das classes C e D deverá ter impacto principalmente na indústria de bens de consumo", explica

Na indústria, destacam-se também as oportunidades nos setores de petróleo e gás, energia e mineração. Para Fernando Lohmann, sócio da consultoria Fesa, esses segmentos são os que mais devem sofrer com a falta de mão de obra qualificada em todos os níveis. Mantovani, da Robert Half, diz que o problema, que atinge principalmente a área de engenharia, está fazendo com que as empresas revejam a qualificação mínima exigida dos candidatos. "Na falta de engenheiros juniores, por exemplo, algumas companhias já optam por um técnico em edificações. Trata-se de um profissional mais barato e, por enquanto, mais fácil de ser mantido na equipe."

Até mesmo os técnicos, porém, estão escassos. Sérgio Averbach, da Korn/Ferry, ressalta que muitas indústrias de base estão investindo no treinamento desses profissionais para dar conta da demanda por mão de obra em 2011. Para Averbach, a guerra por talentos, deve ser um problema também para o setor de tecnologia. "Acreditamos em um crescimento da demanda em áreas como processos, sistemas e comunicações. São colaboradores que dão suporte para o crescimento das empresas e aumentam sua eficiência", diz.

Fernando Lohmann, da Fesa, observa um novo momento para as empresas de tecnologia em 2011, por conta do aumento do consumo interno e pela ascensão das classes C e D na economia. "As empresas do setor estão alinhando sua estrutura organizacional à nova estratégia para o ano que vem. As substituições de executivos, principalmente na média gerência, já estão acontecendo", afirma.

A demanda interna também deve nortear a estratégia de contratações da indústria de bens de consumo, de alimentos, de bens duráveis e, em especial, as farmacêuticas. "São empresas que não conseguem formar gente na velocidade com que precisam expandir seus negócios. O resultado é uma disputa já instalada pelos melhores talentos", afirma o presidente da Korn/Ferry. Dentro dessa cadeia de consumo, a procura por executivos nas áreas comercial e de novos negócios se destaca. "Posições na linha de frente como marketing e vendas serão mais demandadas. No entanto, as companhias também vão precisar reforçar áreas de apoio como recursos humanos e finanças", avalia Lohmann.

Os bons resultados das empresas em todos os setores deve influenciar a busca por mão de obra qualificada também no mercado financeiro, principalmente nas áreas de crédito, fusões, aquisições e seguros. Além disso, os especialistas concordam que a chegada de investimentos internacionais ao Brasil está influenciando a demanda por novas vagas, particularmente em private equity e asset management. "Já no caso dos bancos de varejo, é notável a intenção de contratar executivos para dar sustentação aos planos de expansão das redes de agências", afirma Marcelo de Lucca, diretor da consultoria Michael Page.


Essa notícia foi publicada no Valor Econômico, em 22/12/10.