Mesmo doentes, profissionais evitam faltar ao trabalho

Data 06/07/2011

O volume de tarefas e o medo de perder o emprego levam as pessoas ao trabalho mesmo quando elas estão doentes. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo portal Monster.com, especializado em recrutamento, segundo a qual 76% dos entrevistados não deixam de trabalhar por motivo de doença. A pesquisa foi respondida por 33.684 pessoas de quinze países, a quem foi perguntado “Você vai trabalhar quando está doente?” Foram dadas quatro alternativas como resposta: “Sim, o volume de trabalho é grande e não posso perder um dia”, que levou 35% dos votos; “Sim, na atual situação econômica, tenho medo de perder meu emprego” (28%); “Não, eu descanso até me sentir melhor “(24%) e “Não, eu trabalho em casa quando estou doente” (13%).

Apesar de nenhum brasileiro ter participado da pesquisa, Juliana Moura, analista de Recursos Humanos da Marton+Marton, produtora de mobiliário residencial e comercial, defende que a produtividade do funcionário cai quando ele está enfermo, motivo pelo qual deve ficar em casa até melhorar. Ela afirma que a Marton+Marton não obriga o colaborador a apresentar um atestado médico, mas, caso não justifique a falta, perde o direito ao descanso semanal remunerado.

Juliana ressalta a importância de um trabalho de longo prazo para minimizar as faltas. Para isso, a empresa tenta acompanhar o histórico médico do funcionário desde a admissão e mantém as portas abertas caso ele queira conversar sobre eventuais problemas pessoais. “Temos que acolher a pessoa para que ela possa render mais. Se o colaborador só enfrentar punições perde a motivação”, argumenta.

A situação é um pouco mais complexa quando envolve colaboradores de níveis hierárquicos mais altos. A consultora de Recursos Humanos Marcia Castaldi lembra que estes profissionais nem sempre podem faltar ao trabalho quando estão enfermos. “Muitas vezes, mesmo estando doente, a pessoa precisa trabalhar, porque sua posição é estratégica para a companhia”, explica.

Atestado médico

A legislação trabalhista brasileira prevê que a falta por motivos de doença será abonada, desde que o trabalhador apresente um atestado médico comprovando a necessidade de repouso. Para Gilberto Archero Amaral, presidente da regional São Paulo da Associação Nacional da Medicina do Trabalho (ANAMT), a questão principal para se determinar se a pessoa deve ou não trabalhar quando está enferma é a relação entre sua condição de saúde e o trabalho que ela exerce. “Se a pessoa está apta fisicamente a realizar suas tarefas do dia a dia deve ir ao trabalho. Caso contrário, o médico deve pedir o afastamento pelo tempo necessário até que se recupere”, resume. Amaral afirma que o critério de concessão dos atestados varia conforme as exigências de cada atividade profissional e de cada caso clínico. “Não há uma receita de bolo”, conclui.

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 29/06/2011.