Ministro francês defende mais mulheres na direção de empresas

Data 09/11/2009

 

O ministro do Trabalho da França, Xavier Darcos, disse nesta sexta-feira ser favorável a que as empresas se comprometam a ter na direção uma quantidade de mulheres proporcional à presença delas entre o total de funcionários, no lançamento de um debate sobre a igualdade no mundo econômico. 

"As mulheres também devem estar representadas de forma justa nas instâncias de direção e de representação de funcionários", assinalou Darcos, que tinha convocado sindicatos e patronais a uma reunião da Comissão Nacional da Negociação Coletiva. 

Sua ideia é que as companhias a partir de um determinado tamanho estabeleçam o "princípio de proporção equivalente entre a representação das mulheres em toda ou parte da população de empregados da empresa e a de seus dirigentes". 

O ministro reiterou sua vontade de que essas normas sejam acompanhadas de "incitações e sanções", embora não tenha entrado em detalhes sobre como seria possível punir as empresas que não cumpram e a partir de quando isso se daria. 

Suas ideias não vão tão longe como as dos deputados de seu partido conservador, a UMP (União pela Maioria Popular), que pediram um mínimo de 40% de mulheres nos órgãos de direção dos grandes grupos, em particular nos comitês executivos. 

O argumento do entorno do ministro é de que algumas empresas onde a proporção de homens é superior à de mulheres perceberiam essa norma como uma ingerência injustificada da política de igualdade. 

Além dessas diferenças, o Departamento de Trabalho contempla um dispositivo para obrigar as empresas, que passaria em primeiro lugar pela publicação na internet do nome das companhias que descumpram as regras. 

Depois seria aplicado um mecanismo de bonificações e penalizações em função da evolução em aspectos como as diferenças salariais e de promoção entre homens e mulheres. 

Segundo um estudo de 2006, essas diferenças salariais não tinham se reduzido nos últimos anos e eram de perto de 27%, apesar de na França haver desde 1972 uma lei que impõe a igualdade nesse caso para as mesmas funções. 

Na França também há muitas outras leis para favorecer um tratamento igualitário de homens e mulheres, como a que impõe a paridade da representação política, ou seja, candidaturas com 50% de mulheres e 50% de homens em alguns eleições e multas para os partidos que descumpram isso. 

Essa notícia foi publicada na Folha Online, em 06/11/2009