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Muitas horas de trabalho podem estimular consumo excessivo de álcool

Data 19/01/2015

A típica imagem de um bebedor compulsivo pode ser tanto a de um homem de meia-idade que trabalha muitas horas por dia quanto a de um estudante universitário que faz farra até de madrugada.

Os médicos estão passando a colocar o foco nessa população mais idosa, depois de anos de priorizar o estudo de adolescentes e jovens alcoólatras. Estão surgindo evidências de que os empregos de alta pressão empurram milhões de pessoas a consumir álcool de maneira excessiva e de que as mortes provocadas pelo abuso dessa substância aumentam à medida que as pessoas envelhecem.

Uma nova pesquisa realizada em 14 países e publicada pela revista British Medical Journal descobriu que pessoas que trabalham mais de 48 horas por semana têm mais propensão a beber em excesso – definido como 14 doses por semana para as mulheres e mais de 21 para os homens –. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA estimou em um relatório da semana passada que seis pessoas morrem diariamente por intoxicação alcoólica, principalmente na faixa etária de 35 a 65 anos.

“Beber é um modo rápido e fácil de se desconectar do trabalho. É aí que surge o problema”, disse Cassandra Okechukwu, professora assistente da Faculdade de Saúde Pública de Harvard em Boston. “Nós definimos esse problema e demos o nome de risco de consumo de álcool. Não estamos dando a ele a mesma importância que damos ao que é definido como alcoolismo. Precisamos prestar mais atenção”.

Várias pesquisas mostram que o consumo de bebidas alcoólicas, desde que não seja excessivo, é saudável, especialmente para o coração. Apesar de o vinho tinto ser geralmente vinculado aos benefícios para a saúde, já foi demonstrado que a cerveja e os destilados também previnem diversas doenças. Os médicos alertam contra começar a beber ou aumentar o consumo de bebidas por causa dos possíveis benefícios à saúde e indicam que um consumo excessivo pode provocar uma série de doenças, do câncer à morte súbita.

Mortes por intoxicação

Os números sobre o excesso de bebida não têm sentido à primeira vista e são um enigma para os pesquisadores. Os jovens continuam sendo os mais propensos a excessos ocasionais de álcool – definido como cinco ou mais doses em poucas horas para os homens e quatro ou mais para as mulheres –. As pessoas com 65 anos ou mais que bebem em excesso fazem isso com mais frequência do que as de outras faixas etárias. No entanto, quem morre por intoxicação alcoólica são as pessoas de meia-idade. De cada quatro, três são homens, de acordo com o CDC.

Em uma pesquisa realizada em 2012 por esse órgão, 71 por cento dos americanos disseram que tinham tomado uma dose nos últimos 12 meses, ao passo que cerca de 56 por cento tinham bebido nos últimos 30 días. Há uma pequena e crescente quantidade de pessoas que bebe excessivamente de uma vez só, e não está claro por que, disse George Koob, diretor do Instituto Nacional sobre Abuso de Álcool e Alcoolismo.

"Estamos vendo um número mais elevado de bebidas por pessoa", disse ele. "O que está crescendo é a quantidade que se toma em uma rodada de bebida. Estamos preocupados. Nós ainda não descobrimos como lidar com isso".

Jornadas mais longas

Longas horas de trabalho podem exacerbar o problema. A pesquisa publicada na revista identificou que as pessoas que trabalhavam de 49 a 54 horas por semana e as que trabalhavam 55 horas por semana tinham, respectivamente, uma propensão de 13 por cento e 12 por cento maior para o risco de consumo de álcool.

Uma taça de vinho ou um copo de cerveja depois do trabalho é um modo comum de relaxar depois de um dia duro no escritório. O problema é quando isso se transforma em outra coisa. Para as pessoas que já bebem, o estresse no trabalho ou em casa pode levar a uma dependência ainda maior do álcool, disse Sandra Brown, professora de psicologia e psiquiatria e vice-reitora de pesquisa da Universidade da Califórnia em San Diego.

Para as pessoas na faixa dos 30, 40 e 50 anos, os efeitos do álcool podem durar muito mais tempo do que apenas uma ressaca desagradável. Podem comprometer o fígado e o pâncreas e também levar diretamente à depressão.

 


Essa notícia foi publicada no site Bloomberg, em 18/01/2015

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