Mulheres não sabem negociar salários, dizem autoras dos EUA

Data 11/12/2012

Mulheres têm menos habilidade para negociar salários e por isso podem perder uma média de US$ 500 mil (R$ 1 milhão) em aumentos ao longo de suas carreiras.

Essa é uma das principais teses do livro "Ask For It" (peça por isso, não lançado no Brasil).

As autoras, Sara Laschever e Linda Babcock, são pesquisadoras dos EUA especialistas em estudos culturais e análises econômicas de equidade de gêneros, respectivamente.

Elas entrevistaram 200 pessoas sobre suas experiências e táticas em negociação salarial.

Segundo Laschever, as mulheres são piores nesse tipo de conversa por razões culturais. "Elas são socializadas desde a infância para considerar que uma atitude exigente é errada, agressiva. Isso está até em livros infantis."

Os homens, por outro lado, são incentivados a saber o que merecem, tomar conta de si mesmos e ser mais "durões". Essas são características que, no futuro, tornam as negociações mais fáceis.

ALTERNATIVAS

Laschever diz que as mulheres tendem a pensar que, se apenas fizerem um grande trabalho, serão recompensadas. Mas o mundo não funciona assim.

Para mudar esse comportamento, a autora orienta que as profissionais precisam observar as chances de negociar. "Elas têm de assumir que tudo é negociável."

Ela sugere que, a fim de ser influente ou persuasiva, o ideal é ter um argumento convincente, mas também é preciso parecer simpática.

"Recomendo ensaios com colegas ou amigos antes de uma negociação. A prática tem de parecer otimista, relaxada e alegre. Deve-se também planejar respostas calmas para reações extremas."

Até para as empresas essa dificuldade maior das mulheres em negociar salários ou uma promoção pode ser prejudicial. Laschever explica que as companhias que mantêm mulheres trabalhando em cargos inferiores às suas capacidades estão administrando mal os seus recursos humanos.

Alguns traços tipicamente femininos devem ser mantidos, porque são qualidades, diz a pesquisadora. Por exemplo, uma habilidade maior em colaborar e cooperar.
 


*Essa notícia foi publicada no site Folha de São Paulo, em 9/12/2012