Mulheres voltam ao mercado de trabalho

Data 30/01/2012

 

Mais dinâmica na forma como se apresenta ao mercado, menos engessada em seus processos internos e sempre preparada para as mudanças constantes do mundo Wi-Fi. Essas são algumas das características da empresa do século 21 – seja ela pequena, média ou grande. No bojo dessas crescentes transformações – que afetam não só as metas de uma organização, mas até suas relações com fornecedores, clientes e colaboradores –, o Departamento de Recursos Humanos ocupa um lugar de destaque. Esse é o campo coberto pela pesquisa Delphi Tendências em Gestão de Pessoas nas Empresas Brasileiras, realizada periodicamente pela Fundação Instituto de Administração (FIA), da Universidade de São Paulo (USP).

Economia aquecida motiva trabalhadoras informais e donas de casa a buscar vagas com carteira assinada. IBGE destaca melhora na renda; salário da mulher vale 72% do do homem em 2010; há oito anos valia 69%.

Com o aquecimento da economia e a maior oferta de vagas, mulheres que estavam sem emprego decidiram retornar ao mercado em busca de uma oportunidade.

A avaliação é de especialistas em emprego que acreditam que esse aumento na procura por uma vaga pode inclusive explicar, em parte, a pressão sobre a taxa de desemprego feminina, que tem recuado em ritmo diferente da dos homens.

A taxa média de desemprego para as mulheres passou de 10,7% entre janeiro e maio do ano passado para 9,2% no mesmo período deste ano. A dos homens foi de 7,0% para 5,8%.

As taxas são medidas em relação à PEA (População Economicamente Ativa) e calculadas a partir de pesquisa mensal do IBGE em seis regiões metropolitanas.

"Uma taxa de desemprego abaixo de 6% para os homens é bastante baixa e significa que o mercado para eles está "apertado", diz Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.

O especialista destaca que o fato também pode ter incentivado a entrada de mulheres no mercado de trabalho. "[O que pode ocorrer é que] setores que contratavam homens tiveram que contratar mulheres."

A taxa de desemprego masculina recuou 17%, enquanto a feminina caiu 14% na comparação da média dos cinco primeiros meses de 2010 em relação à de 2009.

"Uma das explicações para essa diferença no ritmo de queda das taxas é justamente o fato de que mais mulheres estão retornando ao mercado", diz Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese.

Outro fator que explica a diferença no ritmo de queda do desemprego é a ampliação de vagas na construção civil e a reposição de empregos na indústria, setores com mais mão de obra masculina.

"Antes da crise, a indústria tinha estoque de 8,117 milhões de empregos no país. Só em abril deste ano esse estoque foi reposto, e a indústria voltou a esse patamar, com 8,129 milhões de postos", diz Fábio Romão, economista da LCA.

"Como na indústria prepondera a mão de obra masculina, a reposição no setor ajuda a derrubar o desemprego entre os homens", diz.

Para Cimar Pereira, do IBGE, é importante ressaltar a recuperação na renda das mulheres. "Em março de 2002, o salário da mulher valia 69% do do homem. Em maio deste ano, valia 72%."

Essa notícia foi publicada na Folha Online, em 08/07/10.