Na hora de pedir aumento, evite números arredondados

Data 04/06/2013

Está atrás de um aumento de salário? É importante pensar bem sobre o valor a ser pedido – e não apenas em relação a quanto você quer ganhar a mais. Um estudo da escola de negócios da universidade americana de Columbia descobriu que, ao negociar valores, ter uma primeira oferta com números precisos – ao invés de valores arredondados – leva a acordos melhores.

A pesquisa, liderada pela professora de negociação Malia Mason, incluiu uma série de experimentos com centenas de pessoas, entre elas gerentes experientes e alunos de MBA. Os resultados mostram que propor valores precisos em negociações aumenta a chance de conseguir a cifra desejada.

Segundo o estudo, os receptores das ofertas valorizam mais aqueles que fazem propostas iniciais mais detalhadas e precisas, o que os leva a fazer menos ajustes na contra-proposta. A explicação é que eles consideram que a pessoa pedindo o valor está mais bem-informada sobre o assunto discutido. Já quem começa com uma proposta arredondada passa a impressão de que tem uma visão superficial do mercado e do valor do "produto" negociado.

A pesquisa indica que, ao negociar salários, um profissional que fizer uma oferta para receber US$ 63.500 anuais tem mais chances de receber uma contra-proposta de US$ 62.000, enquanto uma pessoa que pedir US$ 65.000 tem mais chances de ter a oferta rebatida por uma proposta de US$ 60.000, por exemplo. Em um dos experimentos, com 130 pessoas que tiveram que negociar o preço de um carro usado, aqueles com ofertas iniciais de números quebrados chegaram a pagar US$ 707 a menos do que os que começaram com valores arredondados.

"Nós geralmente achamos que o ideal é começar com o valor mais alto", diz Malia. "Mas você arrisca perturbar a pessoa se você propor um valor muito extremo. Descobrimos que você pode ser menos extremo se for preciso, e ainda assim pode se sair bem no fim.”

Para Malia, a melhor estratégia é começar a negociação com um valor alto, mas não exagerado, que também seja preciso. Mesmo assim, os autores reconhecem que apostar em valores mais precisos também traz seus riscos: essas ofertas podem sinalizar falta de flexibilidade, o que pode gerar menos chance de negociação com o interlocutor.

 


*Essa notícia foi publicada no site Valor Econômico, em 31/05/2013

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