Nem todos querem dar 100% de si

Data 05/01/2010

 

Raramente essas pessoas conseguem enxergar a oportunidade do aprendizado que está contida em todas as atribuições diferentes daquelas que normalmente executa-se com tranquilidade!

O mundo corporativo e até as relações extra-profissionais (tais como os relacionamentos afetivos, os ambientes acadêmicos etc.) cada vez mais demandam uma postura muito diferente do “comodismo” purista e irritante! A “moleza” precisa dar espaço à proatividade e é preciso encorajar os seres humanos a dizerem mais frequentemente a expressão “me desculpe….” (típica de quem toma iniciativa e realiza coisas, às vezes até erradas, mas realiza) no lugar da expressão “me dê licença….” (típica de quem sempre espera que alguém lhe fale o próximo passo).

Eu, como professor acadêmico, tenho aplicado um desafio que demonstra claramente esta tendência. Em minhas disciplinas costumo dizer a meus acadêmicos que espero 100% do empenho deles durante as aulas, da mesma forma que imagino que eles esperam 100% de meu empenho durante as exposições! Alinhado a essas expectativas aviso, logo de cara, que em minha primeira prova duas serão as notas possíveis, ou o acadêmico vai conseguir nota máxima (10) ou ele conseguirá a nota mínima (zero), sem a possibilidade de notas intermediárias! O acadêmico respeita, faz uma cara de desconfiança, às vezes resmunga um pouco, mas normalmente espera para ver que tipo de prova lhe será oportunizada!

No dia da prova, chega a ele um exemplar clássico com o formato de 10 coisas diferentes a responder ou a demonstrar conhecimento, valendo cada uma das proposições 1 ponto, permitindo, assim, que, caso acerte 100% das proposições, ele consiga a nota máxima (10). A partir daí é que os problemas acontecem, pois se o acadêmico acertar, por exemplo, apenas 7 das proposições, sua nota será a mínima (zero)!

Assim que constato que ele acertou menos do que as 10 proposições, digo a ele a seguinte frase: “Querido, você quase chegou lá, ou seja, acertaste apenas 7 das 10 proposições, portanto, se tudo se mantiver como está, sua nota final nesta avaliação será realmente ZERO! No entanto, tenho uma proposta a lhe fazer para viabilizar nosso acordo de que exijo 100% de você, ou seja, lhe darei mais uma semana para pesquisar as proposições que erraste no intuito único de dar-lhe mais uma chance de sair do ZERO e merecer seu 10. Se não conseguir nesta semana, dou-lhe mais uma, e mais uma, e mais outra, até o limite da data da segunda prova, para que consigas acertar com total perfeição as 3 questões erradas. Este é o preço para não merecer o ZERO, dedicar-se para acertar as 3 questões erradas! Topas?”

E você, leitor, acha que os acadêmicos topam!?

O mesmíssimo exemplo aconteceria se ele tivesse acertado 9 proposições e errado somente uma.

Infelizmente, o que tenho constatado é que uma grande quantidade de acadêmicos não aceitam o desafio e pleiteiam fortemente (indo até, às vezes, às vias de fato) o merecimento pela nota que representa seu índice de acertos (7), sem desejar qualquer esforço adicional para reparar a deficiência de aprendizado (exemplificado pelas proposições respondidas erradamente).

Minha alegação sempre foi: “se a pessoa não está disposta a dar-se a chance de aprender o que errou, pelo meio do esforço individual obstinado, sequer merece a benesse do que acertou”!

Pense nisto!

Tirá-lo da zona de conforto e fazê-lo refletir e agir é a minha principal função…Você sempre é o único culpado….por tudo de bom.. …e de ruim em sua vida!

Orlando Pavani Junior é professor acadêmico e CEO da Gauss Consulting, empresa de assessoria instrumental e consultoria especializada.