Novos tipos de testes psicológicos avaliam postura ética e preconceitos

Data 06/10/2014

Os testes psicológicos para recrutamento e promoção continuam em uso, mas novos tipos de análises são adotados hoje para radiografar melhor o perfil de candidatos a posições críticas nas organizações. Há avaliações, entrevistas e treinamentos que identificam características como ética, resiliência, tendências a preconceitos de raça e gênero, e até abuso de poder no escritório. Dependendo do objetivo do exame, as perguntas abordam temas como o recebimento de presentes de fornecedores, o desrespeito às leis de trânsito com o carro da empresa ou a dificuldade de aceitar mulheres em postos de comando.

Na EY, nova marca da consultoria Ernst & Young, o diretor executivo de compliance, Fernando Palma, aplica, há seis anos, questionários para aferir aspectos de ética e integridade corporativa nos candidatos a vagas em sua equipe. Ele conta que desenvolveu um teste chamado "compliance dilemas", que realiza pessoalmente na última etapa da contratação. O objetivo é entender como o candidato convive em sociedade e enfrenta dilemas éticos cotidianos. "Não existe um profissional 'meio honesto'. Ou se tem ética em tudo o que se faz na vida pessoal e na profissional, ou não."

Pelo menos 25 candidatos já passaram pela prova e apenas três foram reprovados. A sessão tem dez questões. Uma das perguntas envolve a transgressão de regras do trânsito com um carro da empresa. "Durante a entrevista, a observação da linguagem corporal também vai me auxiliar na decisão pela contratação". Segundo Palma, dificilmente há necessidade de aplicar a ferramenta até o fim. "As atitudes tomadas nas primeiras perguntas já dizem o que preciso saber sobre as convicções do candidato. A prática é uma maneira de evitar problemas com uma admissão equivocada", afirma.

A consultoria em gestão de riscos ICTS Protivit i também desenvolveu e aplica uma verificação sobre ética em contratações e promoções internas para posições críticas. "Isso nos dá um diagnóstico para os níveis de liderança e áreas sensíveis, mais expostas a riscos, como compras, vendas, marketing e financeiro", explica a sócia-diretora Heloísa Macari.


Essa notícia foi publicada no site Valor Econômico, em  02/10/2014

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