O caminho para trabalhar sem trabalhar

Data 01/09/2010

 

*Por Paulo Alvarenga

 Quando se trata de trabalho, podemos lembrar o significado da palavra que nos remete ao sacrifício. Em latim, a palavra trabalho significa tripalium, que era um objeto utilizado para fazer tortura. Talvez você esteja pensando: por isso é tão difícil trabalhar!

Mas, o que quero trazer aqui é o quê nos leva a, muitas vezes, não suportar o trabalho e acreditarmos que ele é uma obrigação. Gosto de analisar os nossos comportamentos de acordo com as características pessoais, atreladas ao ambiente em que nascemos e vivemos. O ambiente nos influencia totalmente nas nossas crenças e modelos mentais, o que acabam por determinar os nossos comportamentos.

Vamos imaginar alguns acontecimentos da infância. Lembro-me de quando meus filhos eram pequenos, e eu tinha o tempo livre para ficar o final de semana inteiro brincando com eles. Mas, quando chegava segunda-feira de manhã, acordava para ir trabalhar e eles acordavam junto e começavam a brincar comigo, achando que eu iria ficar com eles. Como maioria dos pais, dizia: “o papai não pode, tenho que ir trabalhar”. Eles me olhavam com um olhar de decepção e, aos poucos, construíam uma forte crença sobre o trabalho: “esse trabalho está roubando o nosso pai”.

Pois é, e não para por aí. Quando o mais velho já era adolescente, lembro-me que ele foi muito mau na escola. Disse que se ele não melhorasse as notas, o colocaria em uma escola pública – um absurdo de punição na época do meu pai, quando isso era um privilégio. Coloquei isso como castigo e, para completar, disse que ele iria trabalhar. Ele olhou pra mim com aquele mesmo olhar de decepção e, com certeza, deve ter pensado: “trabalhar… foi esse trabalho que roubava o meu pai quando brincávamos e agora, se eu não estudar, terei esse castigo. Irei TRABALHAR?”.

Mas, felizmente, as coisas mudam. É importante entendermos como podemos transformar o trabalho em algo prazeroso. Eu sempre gostei de trabalhar, mas quando foi que eu me apaixonei pelo trabalho e passei a me divertir trabalhando? Primeiro, quando veio o pensamento de que durante mais de um terço do nosso tempo estamos trabalhando; segundo, foi o fato de buscar o significado daquilo que faço, definir um propósito para tudo o que fazemos é fundamental.

Viver uma vida sem propósito é como ligar o piloto automático e se tornar coadjuvante da sua própria história, para viver essa jornada com significado e prazer é preciso tomar consciência de si mesmo, para então começar a se liderar e direcionar o seu futuro com uma visão inspiradora e, por fim, para viver o presente intensamente.

Tudo isso parece muito piegas, talvez, mas o real significado da nossa existência é fazer o melhor que podemos fazer, com os talentos que temos e com as competências que desenvolvemos, e não nos limitarmos como pessoas e profissionais. Existem vários livros que mostram o segredo do sucesso, várias fórmulas mágicas, mas, na vida, aprendi que cada um tem o seu tempo, o seu jeito e a sua forma de fazer as coisas. Só podemos ter uma coisa em comum: querer.

No meu trabalho como Coach de executivos, professor ou palestrante nos temas de liderança e comportamento, tenho aprendido muito mais do que ensinado. O mais importante é que, com o tempo, obtive uma vasta referência dos mais variados perfis de líderes e, pude constatar que, aqueles que trazem resultados extraordinários para as suas vidas, pessoal e profissional, têm algo em comum:

  • Visão de Futuro, para determinar onde querem chegar. Têm uma alta expectativa em suas vidas como líder, pai/mãe, filho/filha etc;
  • Missão e propósito de vida, com a consciência do impacto que causam no ambiente;
  • Valores, aquilo em que acreditam e que os faz agir como agem. Todos nós temos valores, mas o mais difícil é honrá-los. Isso pode trazer uma profunda sensação de satisfação e, para quem não consegue vivenciá-los, pode trazer uma profunda sensação de incômodo e vazio.

Além dessas características, todos eles buscam o equilíbrio em suas vidas em diversas áreas, como: saúde física, mental, emocional e espiritual. Eu disse que eles buscam, lembram-se da jornada? Isso não quer dizer que conseguem isso 100% do tempo, mas o mais importante é querer gerar essa mudança. É ter em mente modelos mentais que o ajudem a construir essa história, que te impulsiona para o futuro desejado, ao invés de entrar na motivação que te afasta dos seus objetivos, ou seja, focar somente no que não se quer, por exemplo: eu não quero perder o emprego; eu não quero pegar aquele projeto; eu não quero desagradar o meu chefe; eu não quero entrar em conflito com eles etc.

Esse tipo de motivação faz a gente focar a nossa energia no lugar errado, o que só nos desgasta. As perguntas abaixo farão você refletir sobre o que realmente é importante. E, se responder elas com atenção, você começará a reflexão sobre as mudanças que pode fazer para tornar o seu trabalho prazeroso.

  • O que você quer para você na sua vida profissional?
  • O que faria você realizado no seu trabalho?
  • O que está faltando em sua vida?
  • O que você faria se o sucesso fosse inevitável?
  • O que te motiva?
  • O que você faz para se motivar?

Se iremos chegar lá, não sei, mas a jornada é o que faz a diferença. Devemos ter uma referência, uma alta expectativa a ser alcançada para nos superarmos e gerarmos um verdadeiro significado para a vida. Reflita e ache seu caminho para trabalhar sem trabalhar.

Sócio Diretor da Crescimentum, um dos autores do livro “Gigantes da Liderança”, Paulo Alvarenga é professor de pós-graduação e MBA em Gestão de Marketing na GAMA FILHO nos temas: Coaching, Liderança, Comunicação e PNL. Certificado em “Managing Energy”, Executive Course pelo Human Performance Institute, na Flórida, e em “Experience Management – Marketing & Sales, pela University of California.