O chefe foi embora. O que fazer?

Data 21/12/2011

Não raro, a ausência temporária de um líder – seja porque ele foi promovido ou desligado da corporação – é traumática para a equipe. Com a vaga desocupada, é comum que os subordinados tenham que administrar assuntos que eram de responsabilidade do antigo chefe. Nessa situação, é preciso muito cuidado para que os funcionários não fiquem sobrecarregados enquanto o posto não é ocupado e também para que se sintam reconhecidos pelo desempenho extra.

“É fundamental que as empresas tenham um planejamento sucessório e estejam sempre preparadas para substituir prontamente um profissional que deixa o cargo. A melhor maneira de organizar esse plano é a partir de um conselho administrativo, que se responsabiliza pela manutenção e atualização das sucessões”, sugere Josmar Bignotto, coordenador da Comissão de Recursos Humanos do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

Quando uma vaga de chefia demora a ser preenchida, a empresa e os profissionais correm vários riscos. “Se a empresa for de capital aberto, pode haver queda considerável nas ações, por questões de especulação. Além disso, a empresa fica mais suscetível a conflitos internos, o que gera ansiedade dos sócios, subordinados e clientes”, diz Bignotto. “O principal risco é a perda de foco e, consequentemente, de competitividade, resultando em prejuízo financeiro”, completa.

Plano sucessório

Quando não há um planejamento prévio é inevitável ter que lidar com a pressão por uma substituição rápida, além da sobrecarga dos demais profissionais. Para Bignotto, a substituição de todas as vagas, não importa o nível hierárquico, deve ser pensada. “Numa hierarquia empresarial, a ideia é que, na saída de um profissional, todos os que estão em um cargo abaixo fossem subindo de posição e a empresa só precisasse fazer a contratação de um funcionário na base da pirâmide, ou seja, teoricamente uma vaga mais simples de ser preenchida”, explica.

Independente do formato, um plano sucessório consistente é fundamental para toda e qualquer companhia. A Brain – Inteligência em Talentos sabe disso. “Nossa preocupação é preparar os profissionais das áreas de forma que estejam capacitados para assumir as responsabilidades numa eventual ausência da liderança”, explica Mariana Lucena Scheddin, headhunter da Brain. “Envolvemos a equipe nas etapas e nas mudanças que ocorrem dentro da área. O plano de sucessão é o modelo ideal encontrado para essas ocasiões, identificando o profissional com potencial para assumir desafios e prepará-lo para uma situação como esta”, complementa.

Ocupando espaço

A ausência do chefe, todavia, pode ser um ótimo incentivo para os demais profissionais. “Quando uma empresa tem essa política, a saída de um chefe é vista muito mais como oportunidade do que uma situação problemática”, afirma Bignotto. É o que está acontecendo com Mariana Hellmeister Ancona Lopez, psicóloga que atua na área de Recursos Humanos de uma empresa brasileira de médio porte do setor de alimentação. Neste momento, ela e sua equipe trabalham sem uma chefia. O penúltimo chefe esteve na empresa por oito anos e, depois que se desligou, foi substituído após três meses por outro profissional que deixou a companhia sete meses depois.

Ao perceber o lento andamento do processo de substituição, ela assumiu, de maneira informal as rédeas da área. “Como supervisora de Desenvolvimento da equipe corporativa, assumi uma posição de liderança, na qual busco a motivação da equipe nesse momento sensível, analiso as dificuldades que estão enfrentando, ajudo a solucionar ou dar direcionamento e me esforço para que todo o RH se mantenha unido, seguro e com energia para superar os resultados que a empresa espera”, conta Mariana, que vê a situação com otimismo, já que foi um espaço que ela teve para demonstrar outras habilidades e se sobressair.

A estrutura hierárquica do RH nunca foi definida, ou seja, não estava claro quem podia liderar quem. Quando a equipe ficou sem líder, Mariana sentiu que poderia assumir a liderança e arcar com responsabilidades maiores. Com isso, as críticas surgiram e questionamentos de procedimentos de trabalho também. Então, além de realizar suas atividades na área de Desenvolvimento, ela se deparou com outras situações nas quais precisou de muito jogo de cintura e agilidade.

Apesar dos percalços, a situação tem agradado Mariana. Ficar em contato direto com a Presidência, por exemplo, é uma realidade nova para ela que, embora muito positiva, pelo espaço e liberdade conquistados, colocou muita pressão em sua rotina. “Além da grande responsabilidade em arrumar tudo que não estava caminhando bem na área em pouco tempo, tive que unir a equipe e defender a área, pois nestas situações o que mais aparece são pessoas querendo ditar as regras e interferir na sua rotina de trabalho”, diz. Ela também se mostra satisfeita com o reconhecimento que a empresa vem dando ao seu trabalho, o que a motiva no dia a dia.
 

Essa notícia foi publicada no Canal RH, em 12/12/11.