O eSocial requer uma nova postura do RH

Data 02/06/2014

*Por Sáttila Silva

Desde que o projeto eSocial começou a ser delimitado, em meados de 2009, percebemos que a implantação dele não seria uma tarefa simples para as empresas. Isso porque ele é diferente de todos os outros projetos de informatização já instituídos pelo governo federal, pois partiu de uma ação conjunta entre Caixa Econômica Federal, Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Ministério da Previdência (MPS), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).

Ao longo das reuniões, representando a LG lugar de gente como empresa software house no projeto, vimos o quanto o eSocial trará evoluções significativas para a forma de envio das informações fiscais, tributárias, previdenciárias e trabalhistas. Afinal, se antes era preciso enviar as várias obrigações acessórias separadamente para diversos órgãos, agora essas informações serão concentradas em um único ambiente.

O novo formato eletrônico também veio ao encontro de algumas necessidades antigas, como a diminuição do consumo de papel e a dificuldade de armazenamento desse material pelo período necessário. Além disso, boa parte das empresas concorda que, em longo prazo, o projeto tem tudo para ajudar na diminuição da burocracia na legislação trabalhista brasileira. Não há o que se discutir nesse ponto. Os benefícios virão no decorrer dos anos.

Entretanto, o projeto impõe muitos desafios tanto aos fornecedores de software, quanto às empresas que são beneficiadas com suas soluções. Um deles é a não reforma da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Afinal, muitas leis que regem a CLT estão ultrapassadas e, provavelmente, só serão percebidas na prática quando o eSocial já estiver em vigor. Nesse sentido, o ideal seria que uma revisão da nossa legislação tivesse sido feita, antes do desenvolvimento do projeto. Isso porque o investimento por parte das organizações tem sido intenso, e uma possível reformulação da CLT posterior a implantação do eSocial, consequentemente, trará muito retrabalho.

Mas a maior preocupação das organizações ainda está no fato de que o eSocial não exige apenas uma adequação tecnológica, mas sobretudo uma mudança cultural. E essa nova postura levará tempo para ser assimilada pelas áreas de gestão de pessoas, contábeis, jurídica, e demais envolvidas na prestação dessas informações. Não será um processo rápido, já que por tantas décadas as obrigações foram entregues posteriormente ao seu acontecimento, e com o eSocial algumas informações deverão ser enviadas com antecedência.

Nesse contexto, o papel do RH é fundamental para que a transformação cultural aconteça com o menor impacto possível. Como a área de gestão de pessoas é a maior impactada, ela exerce papel fundamental na indicação das melhores soluções e ferramentas para atender as demandas decorrentes do eSocial e também na preparação de seus colaboradores para lidar com essa nova realidade. De fato, o eSocial exige que o RH seja verdadeiramente estratégico, ou seja, antecipe-se aos fatos que impactarão nos negócios e nos resultados da empresa.

O momento é de turbulência, mas não é para pânico, principalmente se seus parceiros e fornecedores te oferecem o respaldo necessário tanto com relação à tecnologia, provendo soluções que consigam atender a toda a complexidade do projeto, quanto no que se refere ao cumprimento da legislação trabalhista.
*Sáttila Ericka Alves da Silva é graduada em Análise de Sistemas pela Universidade Salgado de Oliveira (Universo) e pós-graduada em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Atua como Gerente de Planejamento na LG lugar de gente, empresa brasileira, com mais de 29 anos de mercado, desenvolvedora de soluções tecnológicas para gestão de pessoas.

Comentários