O estresse e os programas de assistência ao funcionário

Data 26/01/2011

 

No ano passado, tive a oportunidade de ministrar uma palestra no 10º Congresso de Stress da ISMA-BR e no 12º Fórum Internacional de Qualidade de Vida no Trabalho na cidade de Porto Alegre. O evento reuniu psicólogos, profissionais de RH e de várias outras áreas, como Medicina, Saúde e Segurança do Trabalho e Qualidade de Vida. Minha palestra versava sobre os Workaholics e Worklovers. Nesta ocasião, discutiram-se quanto os profissionais de RH estão prontos para apoiar os funcionários submetidos ao estresse.

O estresse é uma palavra derivada do latim, que durante o século XVII ganhou conotação de "adversidade" ou "aflição". No final do século seguinte, seu uso evoluiu para expressar "pressão" ou "esforço". Foi no início do século XX que estudiosos das ciências biológicas e sociais iniciaram a investigação de seus efeitos na saúde física e mental das pessoas. Quem primeiro definiu o estresse sob este prisma foi o austríaco-canadense Hans Selye, conceituando-o como qualquer adaptação requerida à pessoa. Esta definição apresenta o estresse como um agente neutro, capaz de tornar-se positivo ou negativo, de acordo com a percepção e a interpretação de cada um.

O estresse positivo (chamado de eustresse) assim como o negativo, (chamado de distresse), causam reações fisiológicas similares, tais como: as extremidades (mãos e pés) tendem a ficar suadas e frias, a aceleração cardíaca e pressão arterial tendem a subir, o nível de tensão muscular tende a aumentar etc. No nível emocional, as reações ao estresse são bastante diferentes. O eustresse motiva e estimula a pessoa a lidar com a situação. Ao contrário, o distresse acovarda o indivíduo, fazendo com que se intimide e fuja da situação. A realidade de cada pessoa é o produto de sua própria criação. As suas emoções e a sua saúde física dependem quase que, exclusivamente, da sua interpretação do mundo exterior. Quanto mais ela entende as pressões e situações que o influenciam, melhor se adapta às suas demandas.

Infelizmente, atualmente, muitos profissionais não estão lidando bem com as situações que os rodeiam. Estima-se que o Brasil tenha uma despesa de cerca de 42 bilhões de dólares com problemas relacionados ao presenteísmo. A doença, causada pelo estresse negativo, é diagnosticada nos funcionários que comparecem doentes ao emprego, com problemas físicos ou emocionais, mas que continuam frequentando o trabalho com medo da demissão ou de enfrentar o tratamento. A pesquisa, realizada pela International Stress Management Association (ISMA-BR), associação que estuda o estresse e suas formas de administração, mostra que a doença é responsável pela queda no rendimento das atividades profissionais, pelo comportamento agressivo ou passivo do funcionário, entre outras características. O impacto econômico do presenteísmo tem sido significativo também em outros países. De acordo com um levantamento feito pelo Instituto para a Saúde e a Produtividade, as despesas norte-americanas com a doença já alcançam a casa dos 150 bilhões de dólares.

Segundo a ISMA-BR, 89% das pessoas que sofrem com presenteísmo apresentam sintomas físicos como dores musculares e dor de cabeça; 72% sentem cansaço; 39% sofrem de distúrbio de sono e 28% têm doenças gastrintestinais. O levantamento aponta, ainda, doenças infecciosas como a alta incidência de gripe e a sinusite ou desvios psicoemocionais como estresse, depressão, problemas domésticos, mau relacionamento com chefes e desmotivação como mais alguns fatores que influenciam nos sintomas e refletem diretamente na queda da produtividade dos colaboradores.
Os profissionais não têm a consciência de que estão debilitados para o trabalho. Sentem-se desanimados, irritados e cansados, mas não percebem que estão doentes. Além da falta de entendimento sobre as sensações, observa-se também que a competitividade organizacional e o acúmulo de funções fazem com que o funcionário atribua a isto a sua falta de produtividade.

A prevenção e correção são indispensáveis!

Muito se fala em qualidade de vida nas empresas. Contudo, poucas são as que investem nestes programas. Com base na extensa lista de doenças e problemas apresentados pelos profissionais de qualquer escalão, a necessidade da preveni-las torna-se indispensável. Evitar, contudo, é uma tarefa que cabe principalmente aos Gestores de RH das organizações, sejam elas pequenas médias ou grandes.

O profissional que isoladamente consegue estar atento à saúde física e psíquica, identificando possíveis problemas que possam atrapalhar seu desempenho, já está de certa forma conseguindo resolver o problema. Mas geralmente não consegue sozinho e se consegue identificar, não tem a quem pedir apoio dentro da empresa.

A meu ver, faz-se necessário que as empresas e os administradores conscientes optem por serviços terceirizados, como Programas de Assistência ao Funcionário, com várias áreas de abrangência, principalmente a psicológica e jurídica. Levar para dentro das corporações e oferecer a possibilidade de atendimento psicológico aos funcionários, que por diversos fatores tem seu rendimento profissional alterado pelo estresse, afetando os resultados da empresa e que até então, não tinham acesso a esse serviço diretamente, é um fator decisivo para fortalecer o “time da casa”.

Atendimentos realizados por psicólogos acontecendo na própria empresa ou fora dela, pagos através de pacotes que determinem número de atendimentos e de funcionários participantes, permitem que profissionais, após o aconselhamento, possam estar menos estressados, mais satisfeitos consigo mesmos, trabalhem melhor e apresentem resultados mais positivos para a empresa.

O importante mesmo é que as empresas estejam atentas à saúde de seus colaboradores. Como a sua está tratando seus funcionários? Há algum planejamento nesse caso para 2011?

Silvia OSSO é jornalista, palestrante e consultora de empresas. Autora do livro Atender bem dá lucro. Conheça ainda mais sobre a Silvia em www.gestaodecarreira.com.br/falarh ou no www.hoconsultoria.com /E-mail: siosso@uol.com.br