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O momento do profissional inovador

Data 09/05/2016

Taynã Paes, de 25 anos, conquistou seu lugar no departamento de Recursos Humanos da IBM há dez meses. No posto de especialista em Diversidade e Aceleração de Carreira de Mulheres, ele trabalha com um enorme quadro colado na parede em frente a sua mesa: nele, post its se dividem em soluções de como inovar diariamente.

“Todos os dias, ao chegar ao trabalho, se pergunte: como posso fazer isso diferente de ontem?” O questionamento é o primeiro passo para ser um profissional inovador, de acordo com o professor do Fórum de Inovação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Miguel Sacramento.

“Ninguém tem, necessariamente, uma rotina de inovação. Eu me considero inovador, porque costumo ter ideias destoantes das outras pessoas”, pondera Paes. Ele conceitua o profissional inovador como alguém que tem conteúdo, consegue entender a área em que está atuando. “Ele reconhece os problemas e sabe a melhor maneira de resolvê-los.”

Talvez, por isso, as empresas procurem avidamente por um profissional inovador e muitas pessoas dentro e fora do mercado busquem se tornar inovadoras.

Para o professor Sacramento, inovador é alguém que não se acomoda, não se contenta com pouco e, acima de tudo, é antenado ao que acontece ao seu redor. “Independentemente do setor em que trabalha, a pessoa precisa saber o que está acontecendo no mundo, na política, na economia, na tecnologia, etc. Porque o impulso para a inovação vem de se perceber mudanças no ambiente.”

Paes conseguiu se destacar na IBM por participar ativamente da criação de novas ferramentas de gestão: o sistema de avaliação de performance e o feedback. Normalmente, as avaliações são feitas pelo chefes, que preenchem uma ficha com perguntas de múltipla escolha. No início do ano, o funcionário escolhe uma meta e doze meses depois, é avaliado se a atingiu ou não.

Conversando com funcionários, percebeu que eles não gostavam desta forma de avaliação, por considerarem que incentivava a competição e os reduzia a uma meta ou a algumas características na folha de papel.

Paes, então, ajudou a implementar um modelo em que não há mais sistema de comparação na equipe nem nota final, mas cinco dimensões de avaliação: resultado, inovação, sucesso do cliente, responsabilidade com outros e com o time e harmonia e inovação. Além disso, é incentivada a cultura do feedback com mais naturalidade na empresa – tanto de chefes para funcionários, quanto o inverso.

Paes agora trabalha em metas de como incentivar o lado mais inovador de cada funcionário. Ele e sua equipe elaboraram cinco passos para ajudar nesse processo: associar, questionar, observar, trabalhar em rede e experimentar. Um dos pontos altos das inovações de Paes é a comunicação. Em suas tarefas no RH, ele procura se comunicar com os funcionários de uma forma mais leve e inclusiva, “para que sintam que estão falando com uma pessoa, um conhecido, não uma instituição”.

Ele afirma que a abordagem está dando certo e foi adotada na organização de um evento destinado às mulheres da área (técnica), em que lançou mão de informalidade no trato e no envio de gifs e emojis. Todo o evento teve avaliação positiva por parte das participantes.

Professor de pós-graduação em Administração da PUC-SP, Leonardo Trevisan ressalta a importância da relação entre criatividade e competência para ser inovador. Relação esta, que só é atingida com o suor de muito trabalho, afinal, é preciso propor algo novo, que ninguém ainda faz.

“O robô substitui a atividade humana rotineira. Quem percebe o papel da inovação na sua rotina de trabalho, cria novas situações e funções”, destaca o professor da PUC. “O pensamento deve ser ‘vou me aliar, já que não vou conseguir bater o big data e o mundo dos robôs’, destaca o professor da PUC.

Para ter uma atitude inovadora, Trevisan considera muito importante olhar para fora da empresa. E cita Apple e Google, que segundo ele, aliam modernização constante com produtividade e lucratividade. “Hoje, recebemos informações por todos os lados, surgem ideias diferentes na palma da mão a toda hora. O exercício é trazer isso para o dia a dia e mudar a rotina.”

“Inovação não precisa ser tão específica como a criação da Microsoft. Às vezes, cozinhar, montar de uma forma diferente o cachorro-quente acaba sendo super inovador”, comenta o professor da FGV.

A inovação pode ser uma característica mais natural para algumas pessoas do que para outras. No entanto, Sacramento ressalta que qualquer um pode ser inovador: basta incentivar o lado criativo. Para isso, é essencial frequentar ambientes “de alto conhecimento, onde as ideias não sejam tolhidas”. E é neste momento que as empresas têm papel fundamental: não basta procurar um profissional inovador, se ele não terá espaço para sugerir coisas novas no trabalho.

“Esse tipo de profissional não pode ter medo de dizer coisas que a empresa não quer ouvir. Para isso, a empresa precisa garantir o direito de a pessoa errar, sem correr o risco de ser mandado embora”, diz Sacramento. “Se o ambiente não for propício a sugestões – mesmo que não sejam boas –, dificilmente o funcionário sairá de sua zona de conforto para propor coisas novas.”

“Eu inovo em cima das ferramentas que a IBM me dá. Inovar pode vir por pequenas soluções no dia a dia e a empresa só tem a ganhar, reduz, permite funcionários mais engajados melhorar o ambiente”, afirma Paes. “Inovação é aprendida por osmose. Basta conviver em ambientes que estimulem isso.”

Formado pela PUC-MG em Relações Internacionais, ele lembra, por exemplo, que conseguiu desenvolver sua criatividade fora da sala de aula: organizava palestras e tinha boas relações sociais.

Para o coordenador da pós-graduação em Empreendedorismo e Inovação em Negócios, do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), Ricardo Yogui, também é essencial que as empresas propiciem um ambiente inovador, para fomentar ideias e ações diferentes. “Inovação é disciplina. Não é traço de identidade. Qualquer um pode ser inovador”, diz. Yogui considera que essas mudanças podem ser em produtos, processos ou serviços. 

"Você não é empregável quando faz mais do mesmo", diz professor

Professor de pós-graduação em Administração da PUC de São Paulo, Leonardo Trevisan considera que a inovação surge de uma ação de integração entre ideias, profissionais e a abertura que a empresa dá para essas novas sugestões. “Você não é empregável quando faz mais do mesmo. Isso é fácil se ser substituído”, avalia.

Na tentativa de sair da mesmice, o gerente de operações da empresa voltada para sistemas de comunicação Level 3, Alexandre Vieira de Oliveira, criou com o auxílio de um colega um sistema para alocar técnicos de níveis superiores da empresa no call center, quando há picos de demanda ou falhas no sistema.

“Foi uma maneira simples e eficiente de reduzir a demora do serviço, ou mesmo evitar que o cliente fique escutando aquelas musiquinhas. Isso surgiu quando tentamos achar soluções para algumas dificuldades enfrentadas pelos clientes.

Sabíamos que não tínhamos muita eficiência no atendimento. Pode parecer simples, mas foi uma mudança fundamental. Mexeu com a rotina da empresa e ajudou a resolver essa dificuldade”, conta Oliveira.

Para chegar a esse resultado inovador, Oliveira adotou uma postura disseminada por estudiosos: pensar nas necessidades dos clientes e identificar quais obstáculos que a própria empresa possui.

inovação

Crise e busca por mudança impulsionam novas ideias

Não é mera coincidência que nos últimos anos tenha aumentado a demanda por profissionais que saibam inovar. Segundo o coordenador do Núcleo de Desenvolvimento de Pessoas e Liderança da Fundação Dom Cabral, Anderson Sant’Anna, há dois motivos principais: mudança no padrão de competitividade das empresas e a crise econômica.

Segundo explica, esse novo modelo de competir surgiu no mundo com a crise do petróleo, nos anos 1970, e no Brasil veio aparecer mais na última década. Mudou-se a concepção de produzir em larga escala, apenas pensando no lucro. O novo padrão de competição exige que as empresas mudem constantemente, agregando valor e novidades ao produto.

“Momentos de crise são os momentos que levam as organizações a processos de mudança, de inovação. A crise é uma oportunidade, porque nesses momentos que surgem necessidades de liderança de pessoas com perfil inovador”, afirma Sant’Anna.

De acordo com o especialista, “as pessoas têm de entender que inovar não é algo que está longe, confinado aos laboratórios, está em todos os níveis de gestão”. Nos cargos de chefia é especialmente importante ter um profissional criativo: ele deve saber juntar as diferentes gerações que estão sob sua gestão e pegar o que tiver melhor de cada uma delas.

Essa notícia foi publicada no site do Estadão, em 01/05/2015

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