O perigo do bullying no ambiente corporativo

Data 25/01/2016

De acordo com uma pesquisa da Robert Half, realizada em agosto de 2015, com 317 profissionais e 307 gerentes de RH dos Estados Unidos, 35% dos colaboradores entrevistados já foram vítimas do bullyuing no trabalho e 13% deles chegaram a pedir demissão para fugir dos constrangimentos. 

O estudo mostra que 32% das vítimas do bullying corporativo, que decidiram permanecer na empresa, optaram por confrontar o agressor; 27% reportaram o caso ao gerente da área; enquanto 17% não se defenderam. Entre os gestores entrevistados, 62% já notaram algum caso de bullying na própria empresa. 

Considerando esse cenário, a Huma entrevistou a Gerente Sênior da Robert Half, Mariana Horno, que comentou sobre a pesquisa e relatou como as empresas e profissionais devem se posicionar em relação ao bullying no ambiente corporativo. 

Huma: O que é o bullying no trabalho? 

Mariana Horno: Em geral, o bullying é caracterizado por agressões intencionais, verbais ou físicas que são feitas de maneira recorrente. No caso do bullying corporativo, as principais situações são a humilhação e a intimidação.

Huma: Quais são os indícios de bullying corporativo? 

Mariana Horno: É difícil listar os indícios, porque cada caso de bullying é muito particular. Por isso, o ideal é que os gestores e a direção da empresa fiquem atentos para identificar os tipos de brincadeiras que acontecem dentro da companhia, se elas são de bom ou mau gosto. Porém, o que vai realmente determinar esse limite é quem está sofrendo com a situação. 

Huma: Que tipos de danos o bullying no trabalho pode causar à vítima? 

Mariana Horno: Assim como ocorrem nas escolas, essas situações, se não bem resolvidas no ambiente corporativo, podem levar ao isolamento do profissional, além de impactar na colaboração necessária entre os integrantes da equipe e, consequentemente, no resultado do trabalho. 

Huma: Segundo a pesquisa da Robert Half, na maioria dos casos, a saída para muitos profissionais é pedir demissão por não suportar mais o problema. Na sua opinião, o que a vítima pode fazer para não chegar a esse ponto? Como se proteger do bullying e defender o emprego? 

Mariana Horno: A principal recomendação é que o agredido se manifeste e deixe claro seu incômodo desde o primeiro momento para tentar inibir o bullying. Essa comunicação pode ser feita diretamente ao agressor, ao gestor – caso o bullying não esteja sendo causado por ele – ou até mesmo ao departamento de RH da empresa.

Huma: A realidade no Brasil é diferente da americana? Como o tema é tratado no país? 

Mariana Horno: Ainda é difícil fazer uma análise precisa sobre a situação do bullying corporativo no Brasil, porque as discussões sobre o tema ainda são relativamente recentes. Entretanto, tem ganhado força, porque cada vez mais as vítimas têm encontrado estímulo para expor seus casos.

Huma: Como as empresas devem se posicionar em relação ao bullying no trabalho? Qual o papel dos gestores?

Mariana Horno: O primeiro passo é entender o cenário com as partes envolvidas de maneira franca, apontando caminhos para que a situação não se repita ou, dependendo caso, será necessário direcioná-lo ao RH da empresa.

Huma: Fique à vontade para acrescentar outras informações que julgar relevantes. 

Mariana Horno: Com o crescimento do tema “bullying” no ambiente corporativo, é importante que as organizações reforcem sempre a importância do trabalho em grupo. E isso é feito não apenas no discurso, mas com treinamentos que enalteçam esse tipo de iniciativa e promovam a participação de todos. Também é recomendado tratar o tema de forma aberta, deixando claro quais as políticas da empresa em relação ao bullying, bem como possíveis punições ao agressor e alternativas de comunicação das agressões por parte do agredido. É fundamental que se tenha lideranças com sensibilidade para identificar comportamentos que fogem do ideal para tomar as atitudes necessárias, antes que o problema se torne maior. 

O perigo do bullying no ambiente corporativo

 

 

Mariana Horno é gerente sênior da Robert Half. 

 

 

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