O que é liderança? Como fazer a diversidade funcionar

Data 29/11/2016

lideranca e diversidade

Compreender o que é liderança envolve principalmente compreender o que liderança não é. Quer ser um péssimo ou uma péssima líder? Desrespeite e desvalorize a diversidade. Desconsidere o quanto ela é uma necessidade. Subestime as contribuições que pessoas de diferentes gêneros, etnias e raças e vivências – o que inclui diferentes orientações sexuais e identidades de gênero. Afinal, quem lidera lidera pessoas, assim, no plural. Por isso vamos analisar por que a diversidade de um time é basilar, inclusive, para as finanças da sua empresa.

Para quem, dia após dia, se pergunta como motivar uma equipe, esta é uma boa chance de ouvir o que Heidi Halvorson e David Rock, especialistas do Neuroleadership Institute, querem que líderes saibam sobre a importância de montar equipes diversas. Tudo com base em estudos.

Equipes diversas são melhores em quê?

Quando a dúvida surge, é hora de buscar respostas junto daqueles que vivem para isso: pesquisadores. E foi o que fizeram os especialistas Halvorson e Rock. No artigo “Why Diverse Teams Are Smarter”, publicado na Harvard Business Review em novembro de 2016, eles citam dois estudos sobre o impacto da diversidade – é isso mesmo – sobre as finanças das empresas.

Em 2015, pesquisadores da McKinsey avaliaram 366 companhias públicas de vários países, e o que constataram foi o seguinte. Aquelas que apresentavam a maior diversidade étnica e racial em posições de gestão eram 35% mais propensas a obter retorno financeiro acima da média de seu ramo. E aquelas que contavam com a maior diversidade de gênero eram 15% mais propensas a conquistar essa mesma vantagem.

Outra análise com 2.400 empresas de todo o globo, conduzida pelo Credit Suisse, não trouxe resultados contrários aos de cima. Organizações com pelo menos uma mulher no conselho diretor apresentam maior retorno sobre o patrimônio líquido, e seu lucro líquido cresce mais do que aquelas em que não há mulher alguma na diretoria.

“Equipes não homogêneas são mais espertas”, afirmam os pesquisadores, citando outro estudo recente, que afirma: trabalhar com pessoas diferentes de você desafia suas formas tradicionais de pensar e refina o desempenho do seu cérebro. Mais especificamente, dizem, equipes diversas:

1) focam-se mais em fatos;

2) processam dados com mais cautela, e

3) têm maior habilidade de inovar.

Foco nos fatos

Pessoas com origens, vivências e repertórios culturais diversos trabalhando em equipe podem levar a um pensamento de grupo mais refinado e preciso. Numa série de experimentos conduzidos no Texas e em Cingapura, publicados no jornal científico PNAS, pesquisadores organizaram os participantes ora em equipes etnicamente diversificadas ora em grupos homogêneos. Todos apresentavam boa instrução em finanças e sua missão era cotar algumas ações de mercado. Resultado: aqueles que participavam de equipes mistas eram 58% mais propensos a fazer a cotação correta.

Para Halvorson e Rock, “quando estão em equipes diversificadas, as pessoas são mais suscetíveis a reexaminar os fatos, a permanecer objetivas. São mais propensas a avaliar criticamente suas ações”. É o que cientistas descrevem como “manter seus recursos cognitivos afiados e vigilantes” – o que parece também ser uma boa forma de descrever o que é liderança.

Ao romper com a homogeneidade no local de trabalho, você mostra que está entendendo o que é liderança. Pelo simples fato de que está permitindo que seus colaboradores se tornem mais conscientes de seus próprios vieses, isto é, de suas formas enraizadas de pensamento que, de alguma forma, podem cegá-las e impedi-las de encontrar informações-chave. O efeito disso, sabemos, é a maior probabilidade de falharem ao tomarem decisões.

Cenário propício para inovações

Você já está careca de saber que, para se manter competitiva, uma empresa deve inovar. O que você talvez não imaginava é que uma das melhores estratégias de aumentar a capacidade de transformação da sua marca e dos seus produtos envolve a contratação de mais mulheres e de pessoas de culturas diversas.

O embasamento dessa informação é o estudo publicado em “Innovation: Management, Policy & Practice”. Nele os autores analisaram níveis de diversidade de gênero em equipes de Pesquisa e Desenvolvimento (R&D) de 4.277 empresas da Espanha. Adotando modelos estatísticos, eles descobriram que as empresas com mais mulheres eram mais propensas a introduzir inovações radicais no mercado no espaço de apenas dois anos.

Em outro estudo, publicado na revista Economic Geography, os pesquisadores concluíram que o aumento da diversidade cultural é um propulsor da inovação. Eles reuniram dados sobre 7.615 empresas que participaram do London Annual Business Survey, um questionário realizado com os executivos da capital do Reino Unido, sobre o desempenho de suas empresas. Os resultados revelaram que as empresas dirigidas por equipes culturalmente diversas eram mais propensas a desenvolver novos produtos do que aquelas com liderança homogênea.

“Embora você possa se sentir mais à vontade trabalhando com pessoas que compartilham sua experiência, não se deixe enganar pelo seu conforto”, recomendam e Halvorson e Rock, que também publicaram o artigo “Diverse Teams Feel Less Comfortable – and That’s Why They Perform Better”. Nele, enumeram outros estudos que só endossam a diversidade como uma necessidade. Confira:

Estudos não faltam: Diversidade é uma necessidade

Uma análise de 2009 com 506 empresas revelou que aquelas com maior diversidade racial e de gênero que a média alcançam maior receita de vendas, mais clientes e lucros superiores. Outra pesquisa, esta de 2016 e mais ampla, com mais de 20 mil organizações em 91 países, descobriu que aquelas com mais mulheres em cargos executivos eram mais lucrativas. Em 2011, um estudo com equipes de gestores demonstrou que aquelas com um leque mais variado de bagagens de educação e repertório profissional criavam produtos mais inovadores.

Em suma, como eles descrevem, contratar pessoas que não enxergam nem falam nem pensam como você pode evitar as “armadilhas dispendiosas da conformidade que desencorajam o pensamento inovador”.

Essa notícia foi publicada no site Runrun It

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