O que fazer para que o elogio não vire inveja

Data 07/10/2013

É senso comum no ambiente empresarial que o líder sempre deve elogiar o colaborador em público. Demonstrar reconhecimento ajudaria a replicar boas práticas e comportamentos. Mas será que isso realmente acontece? Em artigo publicado na “Financial Times”, e reproduzido pelo jornal “Valor Econômico” na semana passada, a colunista Lucy Kellaway afirma que elogios feitos em público são danosos ao ambiente corporativo. Ela cita estudo desenvolvido recentemente pelos professores norte-americanos Elaine Chan e Jaideep Sengupta que aponta que as pessoas que estão próximas ao elogiado passam a invejá-lo e se ressentem com quem está dando o elogio. Para eles, elogio é bom quando feito a portas fechadas.

Consultores brasileiros não concordam plenamente com a tese. Para Ricardo Augusto Moreira, consultor líder da Innovia Training & Consulting, o elogio só causará inveja na equipe se houver algo de errado no ambiente de trabalho. “Isso pode significar falta de harmonia”, afirma. Segundo ele, uma equipe alinhada e que tem objetivos bem claros saberá ver de forma positiva o elogio. “Ela entenderá que ele é o caminho para o crescimento de todo um projeto maior.”

Moreira ainda pondera sobre o estimulo que os elogios podem gerar na equipe. “Tem que avaliar até que ponto um pouco de inveja não pode ser positivo para os colaboradores saírem do lugar comum”, diz. Ele acredita que, se o elogio é feito de forma imparcial e referindo-se a um ponto factível, pode servir como fator motivador a todos na empresa.

 Concordando com Moreira, Sergio Miorin, professor da Faculdade Getúlio Vargas, defende que os elogios feitos em público são mais positivos do que negativos. Para o especialista, eles geram uma competição sadia dentro da empresa. “Quando um colaborador ouve um colega ser elogiado, ele se perguntará do porquê do elogio e buscará por ele também”, afirma.

 O lado ruim do elogio, acredita Miorin, aparece quando o colaborador não está preparado para recebê-lo. “O elogio pode subir à cabeça, gerando resultados negativos para a empresa.” Para o consultor Moreira, da Innovia, para evitar que o elogio a um funcionário alimente a inveja de outros, é preciso investir no desenvolvimento dos líderes e na forma como eles lidam com seus comandados. “É preciso buscar medidas para que todos se sintam mais iguais”, diz.

 

*Essa notícia foi publicada no site Canal RH, em 03/10/2013

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