O RH de fora para dentro

Data 01/07/2014

*Por Dorival Donadão

O título acima é do mais recente livro de quatro autores americanos, liderados pelo conhecido consultor de RH, Dave Ulrich. A abordagem do quarteto começa com uma saudável provocação: “Você (RH) pode influenciar as decisões estratégicas, tendo em conta a sua posição privilegiada ao deter o conhecimento dos fatores humanos da sua empresa”. Para o RH, que historicamente se autopercebe afastado do centro de decisões estratégicas nas empresas, essa frase parece mesmo provocativa. No entanto, os autores vão construindo fundamento nessa aparente provocação, ao reposicionar a ênfase de atenção e o foco de recursos humanos para os fatores externos – clientes, mercado, visão global, contexto econômico, política e sociedade.

Em síntese, um novo posicionamento para um RH “de fora para dentro”, do macroambiente para as práticas internas. Nesse caminho, o livro descreve as “Seis Competências” vitais para a transição desse novo papel do RH. São elas:

1. Posicionador estratégico: estudar as influências externas, as forças governamentais, sociológicas, tecnológicas, econômicas e assim por diante. E estabelecer conexões entre essas influências e as decisões críticas da função RH.

2. Ativista confiável: ser ativo (ou ainda melhor, proativo) nas propostas e recomendações que fortaleçam o sentido de propósito e de engajamento das pessoas na obtenção de resultados.

3. Desenvolvedor de diferenciais: as distinções do negócio (aquelas que configuram a mais forte vantagem competitiva) são os pontos que devem merecer a ênfase de concentração dos projetos de RH, influenciando os planos de atração e retenção de talentos na organização.

4. Guardião das mudanças: comunicar uma razão clara e didática para a mudança e apoiar a organização para enfrentar as resistências que surgirem no processo. O engajamento de patrocinadores importantes e poderosos poderá ser um movimento articulado por RH para a efetividade das mudanças.

5. Inovador e integrador: conectar as pessoas por meio da tecnologia, melhorando a rede colaborativa, a visão do todo e a sinergia na consecução dos objetivos estratégicos, particularmente aqueles relacionados à dimensão de gente e gestão.

6. Ferramentas de Suporte: revitalizar o processo e os instrumentos de gestão e compartilhamento do conhecimento, utilizando novamente o poder da tecnologia a serviço de decisões mais efetivas e mais ágeis de mudança.

Exercer essas seis competências de forma estruturada pode agregar uma nova sintonia entre o RH e os negócios.

 

*Dorival Donadão é Consultor em Educação Corporativa, Coaching e Alinhamento Estratégico. É formado em Administração com especialização em RH e Marketing e também escreve para outras revistas da área de gestão de pessoas.

 

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